Correio da Manhã
São Paulo

Qualidade do ar dos EUA está em nível perigoso

Autoridades pedem que população evite sair de casa e use máscaras

Qualidade do ar dos EUA está em nível perigoso
Queimadas no Canadá pioraram a qualidade do ar na América do Norte Crédito: Anthony Quintano from Mount Laurel via Wikimedia Commons

De repente, o céu ficou laranja; o ar, difícil de respirar ou mesmo insalubre; e a visão, turva. Então, chegou a recomendação de diversas autoridades: se puder, não saia de casa; se sair, use máscaras. A densa fumaça oriunda de incêndios florestais no vizinho Canadá, combinada com uma onda de calor que dificulta que as partículas se dissipem, disparou um alerta de saúde pública em regiões do nordeste dos Estados Unidos.

Desde a tarde de quarta-feira (15), ao longo desta quinta (16) e, potencialmente, no decorrer desta sexta (17), cidades como Chicago, Detroit, Minneapolis e Nova York adotam planos de emergência para mitigar os efeitos na população.

Nas três primeiras, o indicador nacional de qualidade do ar apontava para um índice perigoso. A escala mede a presença de ozônio, poluição por partículas, monóxido de carbono, enxofre e dióxido de nitrogênio; ela começa em 0 e, a partir de 301 pontos, a qualidade do ar é considerada a pior possível. Chicago, na quinta, apresentava índice superior a 540.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), as partículas inaláveis finas provenientes de incêndios florestais estão associadas a mortes prematuras e podem causar ou agravar doenças que afetam pulmões, coração, cérebro, pele, intestino, rins, olhos, nariz e fígado — especialmente quando a exposição é prolongada.

A fumaça de incêndios florestais, que pode permanecer no ar por semanas e viajar milhares de quilômetros, é mais tóxica do que a poluição atmosférica comum. Estudos a associam a taxas mais altas de infartos, derrames, câncer, complicações na gravidez e enfraquecimento das defesas imunológicas.

O Canadá registra incêndios florestais todos os anos, geralmente entre os meses de maio e outubro. Segundo o governo, a temporada começou mais lentamente neste ano em comparação a 2023 e 2025 —as duas piores temporadas para incêndios florestais—, mas alertou que os incêndios eram prováveis, devido às temperaturas mais quentes do que o normal.

As autoridades canadenses contabilizavam 858 focos de incêndio no país, entre os quais 111 eram considerados fora de controle. A maioria deles se concentrava nas províncias centrais de Manitoba, Saskatchewan e Ontário. Os dados do governo indicam que aproximadamente 2,4 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo nesta temporada de incêndios. Na avaliação de especialistas, o aumento das temperaturas está tornando essas queimadas mais frequentes e mais intensas.