Rússia acusa Ucrânia de matar engenheiro‑chefe de usina nuclear
17 de julho de 202600:03Redação
Engenheiro-chefe da usina nuclear de Zaporíjia foi morto em ataqueCrédito: Leo211 via Wikimedia Commons
O engenheiro-chefe da usina nuclear de Zaporíjia, controlada pela Rússia, foi morto em um ataque com drone atribuído à Rússia nas proximidades da instalação, afirmou o diretor da Rosatom, a estatal russa do setor nuclear. Alexei Likhachev escreveu em comunicado que um drone ucraniano atingiu um veículo entre as instalações da usina e a cidade de Enerhodar, matando o engenheiro Alexandr Iakovlev e o motorista. As forças russas tomaram a usina no sudeste da Ucrânia, a maior da Europa, contando com seis reatores, nas primeiras semanas da invasão russa à Ucrânia em 2022. Desde então, cada lado tem acusado o outro de ações militares que colocam em risco a segurança nuclear. A cidade de Enerhodar, onde vive a maior parte dos funcionários da usina nuclear, tem sido alvo frequente de ataques.
Encorajando "escalada de atos terrorista
Maria Zakharova chamou o suposto ato de "crime ucraniano"Crédito: Council.gov.ru via Wikimedia Commons
Likhachev afirmou que a falta de reação dos países ocidentais aos ataques contra a usina "encoraja a escalada de atos terroristas por parte do governo ucraniano", informando que os ataques na região mataram 13 pessoas e feriram 48 nos últimos dois meses e meio.
Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão de vigilância nuclear da ONU, condenou o caso, sem fazer menção específica à Kiev ou Moscou.
Zakharova fala "assassinato"
"O ataque representa uma agressão inaceitável contra a usina e sua administração, ameaçando gravemente a segurança nuclear", disse o diretor-geral.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, escreveu no Telegram: "Este é um crime do regime de Kiev que Grossi precisa finalmente enxergar —exigimos uma declaração clara condenando este assassinato por parte dos organismos internacionais competentes, em primeiro lugar a AIEA".
Ucrânia rejeita as acusações russas
O Kremlin acusou na última sexta-feira (10) a Ucrânia de intensificar o que chamou de "ações de terror" contra a usina. O porta-voz, Dmitri Peskov, acusou a Ucrânia de fazer ataques contra infraestrutura civil e contra infraestrutura diretamente relacionada à usina. Em comunicado no Telegram nesta quinta-feira (16), o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia rejeitou as acusações russas.
Irã pode ampliar ataques
O Irã afirmou na quinta (16) que o estreito de Hormuz é uma "linha vermelha" inviolável e advertiu que atacará infraestrutura americana na região do Golfo caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpra a ameaça de bombardear instalações energéticas iranianas. Os EUA mantêm bases militares em diversos países aliados do Golfo.
Colapso da trégua
Washington realizou, na quarta (15), a quinta noite consecutiva de bombardeios e restabeleceu um bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo a Casa Branca, a ofensiva busca forçar a reabertura do estreito de Hormuz. A via marítima voltou a ser bloqueada por Teerã no último sábado após o colapso de uma frágil trégua entre os países.
Linha vermelha
Após os bombardeios da nova ofensiva, na noite de quarta, o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, divulgou uma declaração afirmando que o país trava uma "guerra essencial e existencial" contra Washington. O porta-voz iraniano, Mohammad Akraminia, declarou que o estreito de Hormuz é uma "linha vermelha" para o Irã.
Mohammad Akraminia
"Os americanos acreditaram que, ao atacar algumas de nossas bases na costa sul do país, poderiam assumir o controle [da via marítima]. No entanto, a República Islâmica do Irã tem capacidade para exercer controle sobre Hormuz a partir de todos os pontos de seu território, e isso nunca depende exclusivamente de costas ou ilhas", afirmou.
Forçar a reabertura
Segundo três autoridades americanas ouvidas pela agência de notícias Reuters, os ataques destinados a forçar a reabertura de Hormuz também miram instalações militares iranianas que os EUA pretendem destruir antes de lançar operações complexas. Na terça (14), Trump disse que atacará usinas de energia e pontes caso Teerã não retome as negociações.
Apoio dos Houthis
O Irã pediu aos seus aliados houthis, no Iêmen, para bloquear a passagem do estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, caso Trump cumpra as ameaças, segundo pessoas ouvidas pela Reuters. A medida abriria uma nova frente de confronto com Washington e colocaria em risco outra das principais rotas de transporte de petróleo e gás.
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