A proporção de famílias endividadas na cidade de São Paulo chegou a 74,1% em junho, o maior índice registrado em quase quatro anos, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O percentual representa cerca de 3,33 milhões de lares paulistanos com algum tipo de dívida.
O resultado ficou praticamente estável em relação a maio, quando o indicador era de 74,2%, mas superou os 71,4% registrados em junho de 2025. Apesar da manutenção do elevado nível de endividamento, a pesquisa mostra melhora em alguns indicadores ligados à capacidade de pagamento das famílias.
A inadimplência recuou para 20,7% em junho, redução de 0,4 ponto percentual na comparação com maio. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando o índice era de 21,6%, também houve queda. Nos últimos meses, o percentual de famílias com contas em atraso tem oscilado entre 20% e 22%.
A redução da inadimplência foi observada em todas as faixas de renda pesquisadas. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o índice passou de 25,5% para 25,1%. Já entre aquelas com renda superior a esse patamar, houve recuo de 10% para 9,8%.
O nível de endividamento, por outro lado, permaneceu praticamente inalterado entre os dois grupos. Nas famílias com renda de até dez salários mínimos, o percentual passou de 77,5% para 77,4%. Entre os lares com renda superior, variou de 64,6% para 64,5%. Em ambos os casos, os índices permanecem acima dos registrados um ano antes, indicando expansão do uso do crédito em diferentes perfis de renda.
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento das famílias paulistanas. Segundo a pesquisa, ele está presente em 79,8% dos lares com dívidas, percentual semelhante ao observado no mês anterior.
O financiamento imobiliário alcançou 17,6%, maior nível da série histórica da PEIC. Também foi registrada alta na utilização do crédito consignado, que passou de 5,8% para 6,2%, e do crédito pessoal, que atingiu 12,4%.
Os indicadores relacionados ao atraso no pagamento também apresentaram melhora. O tempo médio de atraso caiu de 66,7 dias, em maio, para 66,1 dias em junho, primeira redução registrada neste ano. Também diminuiu a proporção de famílias com débitos vencidos há mais de 90 dias, passando de 54,1% para 53%.
Outro dado apontado pela pesquisa foi a redução da parcela da renda comprometida com o pagamento de dívidas. O indicador caiu para 26%, mantendo a trajetória de queda observada desde janeiro, quando estava em 27,5%. Já o tempo médio de comprometimento da renda permaneceu em 6,8 meses, abaixo dos 7,4 meses registrados em junho de 2025.
A pesquisa também identificou diminuição na parcela de famílias que afirmam não ter condições de quitar seus débitos, índice que passou de 8,9% para 8,5%.
A intenção de contratar crédito ou financiamento nos três meses seguintes também apresentou recuo, passando de 11,2% para 10,8%. Entre os consumidores que pretendem recorrer a empréstimos ou financiamentos, 81,5% afirmaram que os recursos serão destinados ao consumo e à realização de compras.
Na avaliação da FecomercioSP, os resultados indicam que, apesar do elevado nível de endividamento, houve melhora em indicadores ligados à inadimplência e ao comprometimento da renda. A entidade avalia que o crédito continua sendo utilizado pelas famílias como alternativa para administrar o impacto da inflação sobre o orçamento doméstico, em um cenário de mercado de trabalho ainda aquecido.
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