Correio da Manhã
Fraude em licitação em SP

Gaeco faz operação contra fraude em licitação de R$ 1 bilhão em SP

Ex-servidores da Prefeitura de São Paulo são investigados por suspeita de direcionamento de licitações, corrupção e lavagem de dinheiro

Gaeco faz operação contra fraude em licitação de R$ 1 bilhão em SP
Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em operação de março de 2026 Crédito: Divulgação/MP-SP

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrou nesta terça-feira (7) a Operação Ar Frio para investigar um suposto esquema de fraude em licitações envolvendo dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo.

Os investigados, exonerados em março deste ano, são suspeitos de direcionar processos licitatórios para beneficiar empresas previamente escolhidas, em troca de vantagens indevidas. As investigações também apuram possíveis crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

Licitação de R$ 1 bilhão está no centro da investigação

Segundo o Ministério Público, a principal licitação sob investigação envolve a aquisição de aparelhos de ar-condicionado, com valor estimado em R$ 1 bilhão.

O processo chegou a ser suspenso durante as apurações e foi retomado após a exoneração dos servidores investigados.

As suspeitas envolvem irregularidades que teriam ocorrido entre 2022 e 2025, período em que os ex-servidores ocupavam cargos estratégicos nas áreas responsáveis pelos processos licitatórios.

Operação cumpre mandados e apreende celulares

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis ligados aos investigados na capital paulista e na Região Metropolitana de São Paulo.

Durante a operação, foram apreendidos celulares, documentos e outros materiais que poderão auxiliar no aprofundamento das investigações.

Na residência de um dos ex-servidores, os agentes localizaram aproximadamente R$ 100 mil em dinheiro vivo.

MP apura evolução patrimonial incompatível

De acordo com o Gaeco, há indícios de que os investigados tenham adquirido imóveis, veículos e outros bens incompatíveis com a renda oficialmente declarada.

Os promotores também investigam a possibilidade de que parte do patrimônio tenha sido registrada em nome de terceiros para ocultar a origem dos recursos, hipótese que pode caracterizar lavagem de capitais.

Além da fraude em licitações, uma das linhas de investigação busca verificar se houve pagamento de propina em contratos públicos.

Prefeitura afirma que denunciou o caso

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que, ao tomar conhecimento das suspeitas, determinou a exoneração preventiva de seis servidores e encaminhou as informações ao Ministério Público para investigação.

Segundo a administração municipal, nem a sede da Prefeitura nem as secretarias envolvidas foram alvo das buscas realizadas nesta terça-feira.

A gestão afirmou ainda que não compactua com irregularidades e que continuará colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos e a responsabilização de eventuais envolvidos.