Correio da Manhã
Conpresp aprova academia em antiga serraria do Ibirapuera

Conpresp aprova academia em antiga serraria do Ibirapuera

Projeto prevê adaptação de edifício histórico e ainda depende de novas etapas

Conpresp aprova academia em antiga serraria do Ibirapuera
Projeto é de 1993 e visou integrar o Viveiro Manequinho Lopes ao Parque Ibirapuera Crédito: Divulgação/Ibirapuera.org

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) aprovou a instalação de uma academia em um edifício histórico localizado na área do Parque Ibirapuera. A autorização envolve a antiga Serraria Municipal, construção considerada um dos remanescentes históricos do conjunto que integra o parque tombado.

A decisão representa mais uma etapa do processo de adaptação do imóvel para um novo uso. Embora tenha recebido aval do órgão de preservação, o projeto ainda deverá cumprir exigências técnicas e administrativas antes de entrar em funcionamento.

A antiga serraria faz parte do conjunto de edificações existentes na área do Ibirapuera e está inserida em um perímetro protegido por regras de preservação patrimonial. Por essa razão, qualquer intervenção no local precisa ser analisada pelos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio histórico e cultural da cidade.

O projeto aprovado prevê a ocupação do imóvel por uma academia voltada à prática de atividades físicas. As intervenções deverão respeitar características arquitetônicas e elementos considerados relevantes para a preservação do edifício. A proposta passou por avaliação técnica que considerou o impacto das alterações sobre a estrutura histórica e a compatibilidade do novo uso com as diretrizes de preservação do local.

Durante a análise, foram discutidos aspectos relacionados à conservação do patrimônio, à adaptação interna dos espaços e à manutenção das características originais da construção. Também foram avaliadas questões ligadas à circulação de usuários, à acessibilidade e à adequação da infraestrutura necessária para o funcionamento da atividade.

A aprovação ocorre em meio a um processo mais amplo de reutilização de imóveis históricos por meio de novos usos considerados compatíveis com a preservação patrimonial. A estratégia tem sido adotada em diferentes cidades para garantir a ocupação e a manutenção de edificações de valor histórico, evitando períodos prolongados de desuso.

Especialistas em preservação costumam apontar que a destinação de novas funções para prédios históricos pode contribuir para sua conservação, desde que as adaptações respeitem os elementos protegidos e não comprometam a leitura arquitetônica do bem. Por outro lado, mudanças em imóveis tombados frequentemente geram debates sobre os limites das intervenções permitidas e sobre a preservação de suas características originais.

O Parque Ibirapuera é um dos principais patrimônios urbanos da capital paulista e possui proteção em diferentes esferas de preservação. Inaugurado em 1954, o espaço reúne áreas verdes, equipamentos culturais, esportivos e edificações de relevância arquitetônica, muitas delas associadas ao projeto desenvolvido para as comemorações do IV Centenário da cidade.

A antiga Serraria Municipal integra esse conjunto histórico e, ao longo dos anos, passou por diferentes períodos de utilização. A proposta de instalação da academia busca reativar o imóvel, mantendo sua ocupação permanente e garantindo sua inserção na dinâmica cotidiana do parque.

A aprovação do Conpresp não encerra o processo. O empreendimento ainda deverá observar condicionantes estabelecidas pelos órgãos competentes e obter as autorizações necessárias para a execução das intervenções previstas. Somente após a conclusão dessas etapas o espaço poderá ser efetivamente adaptado e aberto ao público.

A discussão sobre o destino de edificações históricas no Ibirapuera ocorre em um contexto de crescente interesse pela ocupação de imóveis preservados, conciliando atividades contemporâneas com a proteção do patrimônio cultural. Nesse cenário, o desafio apontado por especialistas é encontrar soluções que permitam novos usos sem descaracterizar construções consideradas parte da memória urbana da cidade.