O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou nesta segunda-feira (1º) que a investigação da Polícia Civil que envolve contratos da administração municipal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) pode ter motivação política. Durante conversa com jornalistas, o chefe do Executivo municipal também saiu em defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, ligada à entidade investigada e à produtora responsável por um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação foi deflagrada para apurar suspeitas de fraudes em licitações e possíveis desvios de recursos públicos relacionados a contratos de conectividade firmados pela Prefeitura de São Paulo. O foco da apuração está em acordos que somam cerca de R$ 108 milhões e que envolvem a implantação e manutenção de pontos de acesso à internet em comunidades da capital paulista por meio do programa WiFi Livre SP.
Segundo os investigadores, há indícios de irregularidades na execução contratual e questionamentos sobre a capacidade técnica da organização contratada para atuar na área de telecomunicações. O inquérito aponta que o histórico de atividades da entidade estaria concentrado em eventos culturais, literários e religiosos, sem experiência consolidada no setor de conectividade pública.
Ao comentar a operação, Nunes afirmou confiar na empresária envolvida e sugeriu que a relação dela com o universo político ligado a Bolsonaro pode estar sendo considerada de forma inadequada no contexto da investigação. O prefeito indicou que, caso a apuração tenha relação com a participação da empresária na produção cinematográfica sobre o ex-presidente, a situação levantaria dúvidas sobre a motivação da ação policial.
A investigação também analisa o cumprimento das metas previstas no contrato. Conforme informações reunidas pela Polícia Civil, o cronograma inicial previa a entrega de 5 mil pontos de conectividade até junho de 2025. Entretanto, os relatórios analisados pelos investigadores indicariam a instalação de cerca de 3,2 mil pontos de acesso à rede pública de internet. A diferença entre o previsto e o executado é um dos elementos que integram a apuração em andamento.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação e que toda a documentação solicitada já havia sido disponibilizada anteriormente aos órgãos de controle e fiscalização. A administração municipal afirmou ainda que os processos relacionados ao contrato são públicos e podem ser consultados por meio dos sistemas oficiais de transparência.
De acordo com o governo municipal, o programa segue funcionando normalmente e os pagamentos realizados correspondem apenas aos pontos efetivamente implantados. A gestão sustenta que não houve desembolso referente à totalidade dos 5 mil pontos originalmente previstos e que os aditivos contratuais tiveram como objetivo garantir a manutenção da infraestrutura já instalada nas regiões atendidas.
A prefeitura também destacou que o contrato passou por acompanhamento dos órgãos de fiscalização, incluindo o Tribunal de Contas do Município de São Paulo, e rejeitou suspeitas de desvio de recursos públicos. Segundo a administração, o processo de contratação observou critérios de legalidade, transparência e economicidade.
O caso provocou repercussão no meio político e ampliou o debate sobre a fiscalização de contratos públicos voltados à inclusão digital. Nos últimos anos, programas de conectividade em áreas periféricas passaram a receber maior volume de investimentos de governos municipais e estaduais, especialmente após a ampliação da demanda por acesso à internet em serviços públicos, educação e atividades profissionais.
Até o momento, não houve conclusão sobre eventuais responsabilidades administrativas ou criminais. As investigações continuam em andamento e deverão analisar documentos, contratos, prestações de contas e a execução dos serviços previstos nos acordos firmados entre o município e a entidade investigada.
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