A Justiça de São Paulo suspendeu a desocupação da sede do Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança, clube de futebol de várzea localizado na região do Campo de Marte, na Zona Norte da capital. A decisão foi concedida pela 11ª Vara da Fazenda Pública e impede, ao menos temporariamente, que a Prefeitura realize demolições ou interrompa as atividades da entidade esportiva.
O clube estava ameaçado de perder o espaço após uma decisão anterior determinar a reintegração de posse da área pública ocupada pela associação. A administração municipal pretende utilizar o terreno para a implantação do futuro Parque Campo de Marte, projeto que faz parte de uma concessão prevista para os próximos anos.
Na nova decisão, a Justiça considerou que ainda não há comprovação suficiente de que a área ocupada pelo clube será diretamente afetada pelas intervenções previstas no projeto do parque. Com isso, foi determinada a suspensão de qualquer medida de retirada até que sejam apresentados estudos e documentos detalhando o impacto das obras no local utilizado pela associação.
O Cruz da Esperança atua há décadas na região e reúne atividades esportivas, culturais e eventos ligados ao samba e à comunidade local. O espaço é considerado um dos tradicionais pontos do futebol de várzea paulistano.
Em março, outra decisão judicial havia autorizado a reintegração imediata da área e permitido até mesmo o uso de força policial para cumprimento da ordem. Na ocasião, a Prefeitura argumentou que o terreno era ocupado de forma irregular e que a permanência do clube impediria o avanço do projeto do parque municipal.
A gestão municipal também informou anteriormente que tentou negociar alternativas para a utilização compartilhada dos campos de várzea previstos no futuro complexo, mas que não houve adesão do Cruz da Esperança ao acordo discutido com outras entidades esportivas da região.
A área em disputa possui cerca de 15 mil metros quadrados e integra o conjunto de terrenos públicos do Campo de Marte, onde a Prefeitura planeja ampliar espaços de lazer, convivência e prática esportiva. O projeto prevê a criação de um parque urbano em uma das regiões mais adensadas da Zona Norte da cidade.
Moradores e frequentadores do clube vinham realizando mobilizações contra a retirada da entidade do local. O caso também foi tema de debates públicos e audiências organizadas por vereadores e representantes da comunidade, que discutem os impactos sociais e culturais da possível desocupação.
Com a liminar concedida agora, o clube permanece autorizado a manter suas atividades até nova análise judicial sobre o caso. A Prefeitura e a concessionária responsável pelo futuro parque ainda podem recorrer da decisão.