Estudantes da Universidade de São Paulo bloquearam na madrugada desta quinta-feira (7) os acessos ao prédio da reitoria da instituição, na Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista. O protesto foi organizado por alunos em greve que reivindicam a retomada das negociações com a administração central da universidade.
O bloqueio começou nas primeiras horas da manhã, quando grupos de estudantes formaram barreiras humanas nas entradas do edifício. Faixas e cartazes foram instalados no entorno da reitoria, enquanto integrantes do movimento estudantil permaneceram concentrados no local ao longo do dia. Também foi convocado um ato público em frente ao prédio administrativo.
A mobilização ocorre após a gestão do reitor Aluisio Segurado informar, no início da semana, que considerava encerradas as negociações relacionadas à paralisação, iniciada há cerca de três semanas. A decisão gerou reação entre centros acadêmicos, coletivos estudantis e representantes do movimento grevista, que passaram a pressionar pela reabertura do diálogo.
Entre as principais reivindicações dos estudantes estão o aumento dos valores pagos por programas de permanência estudantil, melhorias nas condições dos restaurantes universitários e ampliação das políticas de inclusão social dentro da universidade. O tema das bolsas de assistência tem sido apontado como um dos principais pontos de divergência entre os alunos e a administração central.
Como parte das propostas apresentadas pela reitoria para tentar encerrar a paralisação, a universidade anunciou reajustes nos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe), com correção baseada no índice IPC-Fipe. Com a atualização, o benefício integral passaria de R$ 885 para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial associado à moradia estudantil subiria de R$ 330 para R$ 340.
Segundo dados da universidade, o programa atende mais de 17 mil estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento previsto para assistência estudantil em 2026, incluindo bolsas, moradia, alimentação e serviços de saúde, é de R$ 461 milhões.
Apesar das propostas apresentadas, representantes do movimento estudantil consideram insuficiente o reajuste oferecido. Os alunos defendem que o valor das bolsas integrais seja equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente em torno de R$ 1.804. O argumento é que o custo de permanência na capital paulista aumentou significativamente nos últimos anos, dificultando a continuidade dos estudos para estudantes de baixa renda.
Além da questão financeira, a reitoria apresentou medidas relacionadas aos restaurantes universitários. Entre elas estão a criação de grupos de avaliação sobre a qualidade da alimentação, contratação de novos funcionários e ampliação da oferta de refeições. A proposta prevê ainda a implementação de café da manhã e almoço aos sábados em algumas unidades.
Outro eixo das negociações envolve demandas históricas ligadas à inclusão e ao uso dos espaços universitários. A gestão central propôs a criação de grupos de trabalho com participação estudantil para discutir temas como políticas de cotas para pessoas trans e indígenas nos processos seletivos da universidade.
Também entrou na pauta a regulamentação do uso de espaços ocupados por centros acadêmicos e entidades estudantis. Uma minuta apresentada anteriormente pela administração previa regras para prestação de contas, critérios de transparência e possibilidade de revogação de permissões de uso pela universidade. Após críticas do movimento estudantil, o texto foi retirado de discussão.
A paralisação tem afetado atividades acadêmicas em diferentes unidades da USP, incluindo suspensão de aulas, assembleias estudantis e atos em campi da capital e do interior. Em alguns institutos, estudantes organizaram piquetes e mobilizações para ampliar a adesão ao movimento.
Até o momento, a reitoria não informou se haverá retomada formal das negociações com os representantes da greve. O movimento estudantil afirmou que pretende manter as mobilizações até que haja avanço nas discussões sobre permanência estudantil e assistência financeira.