Oito em cada dez focos de incêndio registrados no Amazonas entre 1º e 15 de outubro ocorreram em propriedades rurais privadas com Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O satélite de referência identificou 1.639 focos de calor, dos quais 79,1% estavam em imóveis cadastrados. As queimadas aumentaram a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.
Levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), feito em 19 municípios da região metropolitana e central, contabilizou 5.598 focos entre 4 e 14 de outubro. O número é 37 vezes maior que os 149 registros do mesmo intervalo de 2025 e supera os 4.385 focos de outubro de 2023. Até 14 de outubro, os municípios somaram 15.674 focos, 109% acima da média histórica.
Segundo o Inpe, 52,8% dos focos estavam em terrenos desmatados nos últimos 3 anos, 30,6% em áreas abertas há mais tempo e 15,9% atingiram vegetação nativa. O fogo usado para limpar terrenos ou renovar pastagens pode escapar do controle e alcançar a floresta.
Desde 9 de setembro, o governo do Amazonas proíbe o uso do fogo no estado. Queimadas para manejo do solo exigem autorização, mas os incêndios continuaram. A seca associada ao El Niño favorece a propagação das chamas, enquanto a localização dos focos reforça a necessidade de investigar a ação humana.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis intensificou a fiscalização. Perto de Manaus, autuou 19 pessoas, aplicou R$ 2 milhões em multas e embargou mais de 250 hectares. A Polícia Civil do Amazonas abriu mais de 120 procedimentos criminais.
De julho até meados de outubro, Manaus acumulou cerca de 104 milímetros de chuva, um terço dos 316 milímetros esperados, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Agosto terminou sem chuva. Com a vegetação ressecada, focos em áreas abertas podem atingir trechos de floresta.
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram desmatados 3.335 km² na Amazônia, o menor índice da série iniciada em 1988, segundo o Inpe. A redução do desmatamento não elimina o fogo em áreas abertas anteriormente.
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