O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) oficializou em Boa Vista (RR), dois equipamentos voltados ao atendimento de povos indígenas: o Centro de Referência em Direitos Humanos para Yanomami e Ye'kwana (CREDHYY) e o Centro de Atendimento Integrado às Crianças Yanomami e Ye'kwana (CAICYY). A iniciativa busca ampliar a proteção, o acesso a direitos e o atendimento especializado às populações indígenas da região Norte.
A formalização ocorreu durante o 1º Seminário de Acompanhamento Institucional promovido pelo MDHC em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os centros funcionam no mesmo endereço, na Avenida Glaycon de Paiva, nº 363 A, no centro de Boa Vista, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Os serviços incluem acolhimento humanitário a indígenas vítimas de violações de direitos humanos, orientação para acesso a políticas públicas, encaminhamento à rede de proteção, atendimento psicossocial e acompanhamento especializado para crianças.
Segundo a secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Tassiana Cunha, os equipamentos representam uma resposta institucional às crises humanitárias enfrentadas pelos povos Yanomami e outras etnias, agravadas por fatores como violência, insegurança alimentar, garimpo ilegal e impactos ambientais provocados pela contaminação por mercúrio.
De acordo com ela, a proposta é fortalecer a presença do Estado nos territórios por meio de ações integradas de proteção, promoção de direitos e reparação às vítimas, respeitando as especificidades culturais e a autonomia dos povos indígenas.
O CAICYY tem atuação voltada especificamente ao atendimento de crianças Yanomami e Ye'kwana. Para o secretário nacional substituto dos Direitos da Criança e do Adolescente, Fábio Meirelles, a estrutura reforça diretrizes de atendimento integrado e escuta protegida, evitando a revitimização e assegurando proteção integral. Representando a Hutukara Associação Yanomami, Dário Kopenawa afirmou que a implantação dos centros é resultado de anos de diálogo e mobilização dos povos indígenas. Segundo ele, os novos espaços simbolizam uma conquista coletiva e reforçam a defesa dos territórios e das comunidades.
Desde o início das atividades do CREDHYY, em 2024, e do CAICYY, em 2025, já foram realizados mais de mil atendimentos relacionados a violações de direitos humanos, além de serviços nas áreas de psicologia, assistência social e orientação jurídica.
Menu