O fim da escala 6x1 pode beneficiar diretamente 33.627 trabalhadores em Roraima, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número representa os profissionais que atualmente trabalham seis dias por semana com apenas um dia de descanso e que passariam a atuar no modelo 5x2, caso seja aprovada a proposta do Governo Federal para redução da jornada de trabalho no país.
Dados destacados
Os dados mostram que Roraima possui hoje 42.975 trabalhadores já inseridos na escala 5x2, o equivalente a 56,1% do total analisado no estado. Outros 43,9% seguem submetidos à jornada 6x1. A mudança faz parte do projeto enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional, em abril deste ano, com urgência constitucional. A proposta prevê a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias consecutivos de descanso remunerado sem redução salarial. O Governo Federal argumenta que a medida busca ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores, garantindo mais tempo para convivência familiar, lazer, descanso e atividades culturais.
Durante pronunciamento no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, o presidente Lula afirmou que o atual modelo não acompanha as transformações tecnológicas e sociais das últimas décadas. Segundo ele, milhões de brasileiros ainda enfrentam jornadas extensas com pouco tempo de descanso, situação que afeta especialmente as mulheres, que acumulam tarefas domésticas e cuidados com os filhos após o expediente de trabalho.
Em nível nacional, o levantamento do MTE identificou a jornada de 44,7 milhões de trabalhadores brasileiros. Desse total, cerca de 14,9 milhões ainda atuam no regime 6x1 e seriam diretamente alcançados pela mudança. Os dados também apontam que 38,6 milhões de pessoas trabalham atualmente mais de 40 horas semanais.
Realidade atual
A maior parte desses trabalhadores, cerca de 37,2 milhões, cumpre jornadas de 44 horas por semana. Outros 1,4 milhão atuam entre 40,1 e 43,9 horas semanais. O governo avalia que a redução da carga horária poderá impactar setores como comércio, serviços, indústria e logística.
Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número de trabalhadores na escala 6x1, com aproximadamente 7 milhões de pessoas. Em seguida aparecem Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Entre os estados, São Paulo lidera o ranking nacional, com mais de 4,2 milhões de trabalhadores submetidos ao modelo atual.