A captura de 440 peixes-leão no litoral de Porto Seguro, no sul da Bahia, levou a prefeitura a acelerar medidas de controle da espécie. Os registros começaram em junho e também foram confirmados no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. O animal, originário do Indo-Pacífico, não tem predadores no Atlântico e pode consumir filhotes de espécies nativas e crustáceos, afetando a pesca e os recifes.
A ação reúne a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac) e pescadores da Colônia Z-22. Dos 440 animais recolhidos, 430 foram enviados congelados ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (Lecomar), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Os exemplares serão analisados para obtenção de dados de biometria e conteúdo estomacal.
O trabalho faz parte do Plano Municipal de Enfrentamento contra a bioinvasão, implantado desde agosto. A iniciativa prevê o pagamento de R$ 10 aos pescadores por peixe capturado e avalia a inclusão do pescado na rede comercial. O consumo humano é considerado possível, desde que os espinhos, onde ficam as glândulas com a substância tóxica, sejam retirados. O cozimento elimina o risco relacionado à proteína.
Segundo pesquisadores, a espécie se reproduz com rapidez e pode avançar pela costa brasileira. A presença em Abrolhos amplia a preocupação porque o parque abriga uma área de alta biodiversidade marinha. Ainda não há dados suficientes para medir os efeitos da chegada do peixe-leão no local. O monitoramento e a retirada de exemplares são apontados como medidas para acompanhar a população e reduzir sua expansão.
O peixe-leão pode capturar filhotes de espécies que têm importância comercial, o que pode reduzir populações de peixes e alterar relações nos ambientes recifais. A Universidade Federal do Sul da Bahia participa da análise dos animais recolhidos e da produção de informações para orientar ações de manejo. O acompanhamento também busca identificar a distribuição da espécie no litoral e avaliar possíveis impactos sobre atividades de pesca e turismo. O animal foi avistado na região em junho. A prefeitura articula pescadores e pesquisadores para registrar ocorrências.
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