Correio da Manhã
Nordeste

Nordeste transforma rejeitos em renda

Projeto Sal da Terra aplica tecnologia para gerar produção no Semiárido

Nordeste transforma rejeitos em renda

O projeto Sal da Terra foi lançado em Petrolina (PE), com a proposta de transformar a água que sobra dos sistemas de dessalinização em fonte de produção de alimentos, geração de renda e apoio à agricultura familiar no Semiárido nordestino. A iniciativa será implantada em comunidades de 7 estados da região.

Desenvolvido pela Embrapa Semiárido, o projeto recebeu investimento de R$ 21 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A ação foi criada a partir de uma encomenda tecnológica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes).

A proposta será aplicada durante 3 anos em áreas atendidas pelo Programa Água Doce, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). As atividades serão realizadas em Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, com foco no aproveitamento sustentável da água salobra e do concentrado salino gerado pelos dessalinizadores.

Os sistemas usados para retirar o excesso de sais da água subterrânea garantem água própria para consumo, mas também produzem um rejeito que, quando descartado sem tratamento, pode causar danos ao solo e ao ambiente. O projeto busca utilizar esse material em processos produtivos adaptados às condições do Semiárido.

A iniciativa prevê a implantação e recuperação de 50 Unidades Produtivas de Agricultura Biossalina. O trabalho também inclui assistência técnica e capacitação para cerca de 700 agricultores familiares, técnicos e extensionistas.

Entre as ações previstas estão pesquisas para cultivo de plantas adaptadas à salinidade, produção de bioinsumos, criação de tilápias, cultivo de microalgas e melhorias em sistemas de irrigação para locais com pouca disponibilidade de água.

Segundo o MCTI, o projeto integra uma estratégia de incentivo à pesquisa aplicada para enfrentar desafios sociais e ambientais. O FNDCT é apontado como uma das fontes de recursos para ampliar investimentos em ciência, tecnologia e inovação voltados ao desenvolvimento regional.