O álbum "Coco de Ninar", da Mestra Martinha do Coco, já está disponível nas plataformas digitais e reforça a presença da cultura popular nordestina no cenário nacional, ao unir música, memória afetiva e tradições do coco pernambucano. O lançamento inclui o clipe da faixa Baloeiro, disponível no YouTube, e marca mais um capítulo na trajetória da artista radicada em Brasília desde a década de 1960.
Inspirado nas manifestações populares do Nordeste, o trabalho valoriza o coco como instrumento ancestral de transmissão de saberes e cuidado entre gerações. Com canções voltadas à infância e ao universo lúdico, o álbum reúne ritmos e elementos sonoros tradicionais, como sanfona, pífano, rabeca, cavaquinho, violões e forte percussão, criando uma atmosfera de brincadeira, dança e cantoria típica das manifestações culturais nordestinas.
Nascida em Olinda, Pernambuco, Martinha do Coco chegou ao Distrito Federal ainda jovem e se consolidou como uma das principais representantes da cultura nordestina na capital do país. Em sua trajetória artística, difundiu ritmos como maracatu, ciranda e samba de coco em apresentações nacionais e internacionais, fortalecendo a tradição oral brasileira e aproximando o Nordeste da cultura cerratense. Conhecida pelo estilo chamado de "Coco do Cerrado", a artista também acumula reconhecimentos do Ministério da Cultura e de instituições locais.
"O Coco de Ninar nasce desse desejo de cuidar, de embalar e de manter viva a nossa cultura, principalmente para as crianças. É um trabalho que fala de afeto e da força que vem das nossas raízes", afirma a cantora.
Além do lançamento musical, o projeto aposta em ações educativas e inclusivas. Ao todo, serão distribuídos 50 livros e 800 CDs físicos para a Secretaria de Educação do Distrito Federal. O projeto também prevê a entrega de 100 CDs e encartes em braille ao Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), ampliando o acesso ao conteúdo cultural.
A identidade visual do álbum dialoga diretamente com o universo popular nordestino. Segundo o ilustrador Alex Oliveira, o projeto mistura aquarela, colagem, arte digital e produções feitas por crianças da Escola Classe 06 do Paranoá. O processo criativo durou quatro anos e teve como inspiração atividades pedagógicas ligadas à Vila Paranoá.
O álbum reúne músicos e compositores comprometidos com a preservação e renovação da cultura popular brasileira, com arranjos assinados por Rodrigo Zolet, Lirys Catharina, Thiago DeLimacruz e Janary Gentil.