Por Mayariane Castro
Por quais sentidos a música é percebida? Esse é o questionamento que faz o espetáculo "Cabeças e Cabaças - O poder da visão interior", que será apresentado nos dias 13, 26 e 27 de maio no Complexo Cultural de Planaltina.
A programação terá entrada gratuita e inclui uma sessão acessível no dia 13, às 15h, com interpretação em Libras, audiodescrição e uso de fones de condução óssea voltados ao público surdo. As apresentações dos dias 26 e 27 ocorrerão às 20h.
A proposta do concerto reúne música, escultura sonora e participação do público em uma experiência construída a partir de diferentes formas de percepção. O projeto foi idealizado pelo músico e multiartista Alan Carlos Férrea e conta com a atuação da Orquestra AK-ISUM, formada após oficinas realizadas com pessoas com deficiência visual.
Acesso ampliado
Segundo os organizadores, o espetáculo busca ampliar o acesso à música ao propor um formato que ultrapassa a escuta convencional e incorpora elementos táteis, vibrações e recursos de mediação sensorial.
A iniciativa teve início em 2023, durante atividades desenvolvidas com pessoas cegas e com baixa visão, que participaram da construção dos instrumentos e da criação artística.
Alan Carlos Férrea afirma que o projeto foi pensado para aproximar a produção musical de públicos que, em muitos casos, encontram dificuldades de acesso a equipamentos culturais e apresentações tradicionais. De acordo com ele, a proposta surgiu da necessidade de desenvolver experiências em que a música pudesse ser percebida por diferentes sentidos. "O objetivo foi fazer música de forma democrática e permitir que ela alcançasse pessoas que muitas vezes ficam fora dos espaços tradicionais", declarou o idealizador.
Processo coletivo
A criação do espetáculo envolveu encontros coletivos em que participantes compartilharam formas de percepção sonora, memória e imaginação. O resultado desse processo foi incorporado à estrutura do concerto, que passou a integrar instrumentos criados durante as oficinas e práticas de composição colaborativa.
Os músicos cegos que participaram da formação da Orquestra AK-ISUM também atuam como coautores da obra. Segundo Alan Férrea, as contribuições dos participantes influenciaram diretamente a concepção musical e a organização cênica do espetáculo. "Eles trouxeram maneiras próprias de escutar e interpretar o mundo. Isso alterou a forma como o espetáculo foi pensado", explica.
A proposta apresentada em palco reúne músicos com e sem deficiência em uma mesma formação. A direção do projeto informa que a ideia central não é adaptar um modelo de concerto já existente, mas desenvolver um novo formato.