Divulgação de imagens e vídeos íntimos sem consentimento, perseguição virtual, invasão de contas em redes sociais, disseminação de informações falsas e manipulação de fotos por meio de inteligência artificial, essas são as novas facetas da violência contra as mulheres no ambiente digital. Esses crimes alimentam um cotidiano de medo, controle e restrição, além de provocarem impactos significativos na saúde psicológica das vítimas.
Segundo dados do Anuário de Segurança Pública, o crime de perseguição (stalking) cresceu 30,1% e fechou o ano com uma taxa de 113,3, casos por 100 mil mulheres, o equivalente a 14 ocorrências por hora e um total de 123.871 vítimas. No Distrito Federal, em 2025, foram registradas 2.661 ocorrências de perseguição, um crescimento de 3,8% em relação a 2024 quando foram contabilizados 2.563 casos.
De acordo com o Ministério Público do DF (MPDFT), o stalking, ou perseguição, ocorre quando alguém passa a perseguir a vítima de forma insistente e reiterada, inclusive por meios digitais, interferindo em sua liberdade e privacidade. A prática pode envolver o envio excessivo de mensagens e até o uso de aplicativos espiões ou rastreadores.
A promotora do Núcleo Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (NCyber) do MPDFT, Janaína Almeida, explica que a violência física e a virtual frequentemente se entrelaçam, pois a maioria dos agressores são pessoas conhecidas das vítimas como familiares e parceiros. Segundo ela, isso gera múltiplas camadas de abuso, combinando perseguição física com crimes digitais como stalking, extorsão e vazamento de vídeos íntimos.
"A gente tem uma dificuldade de investigação desses crimes, porque, além de serem delitos novos, a estrutura da investigação criminal ainda é muito voltada para o mundo físico. A gente ouve testemunhas, vê vídeos e se atém muito a coisas que acontecem no ambiente físico. Essas investigações de crimes virtuais demandam muito mais trabalho e, normalmente, autorizações judiciais."
Segundo a promotora, é importante manter os perfis de redes sociais privados, restringir o acesso a fotos e informações pessoais, evitar clicar em links desconhecidos. Além disso, o uso de senhas combinado com a autenticação em dois fatores nas redes sociais, no e-mail e em outros serviços importantes, ajuda a evitar invasões.
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