Após a governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), ter chamado os outros candidatos ao Governo do Distrito Federal de “despreparados” e ter admitido que, se o balanço do Banco de Brasília (BRB) for divulgado antes do empréstimo de R$6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ser destravado, o banco será liquidado, a crise do BRB voltou a centro do debate durante sabatina realizada pelo jornal Correio Braziliense, em Brasília nesta terça-feira (11).
A sabatina teve a participação dos seis candidatos ao Palácio do Buriti: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).
O candidato do PSD, Arruda, defendeu novamente uma reestruturação no BRB. Segundo ele, é necessário fechar as 19 agências do BRB fora de Brasília. Para Arruda, o atual governo está empurrando “com a barriga para deixar o BRB quebrar depois da eleição”. “A preocupação que eu tenho é do atual governo estar empurrando com a barriga para deixar o BRB quebrar depois da eleição. Agora é uma certeza, porque o banco botou isso no papel pedindo para publicar o balanço depois do pleito.”
Arruda também ressaltou a importância de estabelecer um diálogo com o governo federal. "Sem o Governo Federal é muito difícil salvar o BRB. Se a gente perder o BRB, vamos perder a ferramenta mais importante para o desenvolvimento econômico da capital", defende.
Transparência
Já Leandro Grass (PT) disse que o primeiro passo para recuperar o BRB é “transparência radical e absoluta”. “Pergunta para a Celina Leão: cadê a auditoria e cadê o balanço? Aliás, domingo, depois do debate [da Band], ela assumiu que não publicou o balanço porque se publicar o balanço ela não vai conseguir o empréstimo. Ou seja, quebraram o BRB e não querem assumir. E não apresentam solução viável para isso. Porque não tem solução sem transparência e credibilidade”, ressaltou Grass.
A candidata do PSDB, Paula Belmonte, afirmou que o BRB foi usado como “um cantinho, uma salinha para fazer negócios”. “Colocaram o nosso BRB, que é o banco de desenvolvimento da nossa cidade, em uma situação de negócios”. Belmonte também defendeu o fechamento das agências do BRB que estão fora de Brasília. Ela lembrou ter sido uma das primeiras deputadas distritais a ser contra a compra do banco Master pelo BRB.
Roubalheira no BRB
Em concordância com os outros candidatos, Ricardo Cappelli (PSB) defendeu o corte de patrocínios feitos pelo BRB, apontou a necessidade da instituição concentrar suas atividades no Distrito Federal e disse que a primeira medida para salvar o BRB é recuperar o dinheiro que foi desviado.
“Tem que cortar patrocínios absurdos, tem que cortar patrocínio de campeonato de Vela de Dubai, de Fórmula 1. Tem que cortar todos os privilégios absurdos. No meu governo, a população do Distrito Federal não vai pagar a conta do rombo causado pela roubalheira no BRB”, destacou o candidato.
Irresponsabilidade
Durante sua participação na sabatina, a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão, rebateu as críticas dos outros candidatos e destacou que eles não apresentaram nenhuma proposta para o BRB. "Qualquer tipo de liquidação no banco traria forte impacto na aposentadoria dos servidores. Os serviços sociais todos estão lá dentro. Eu tenho 6 mil trabalhadores lá dentro e eu tenho 10 milhões de correntistas. Então, é muita responsabilidade. Meus adversários torcem contra, é uma total irresponsabilidade."
Celina afirmou, ainda, que fez pedidos de ajuda ao governo federal porque é uma “governadora que dialoga”. “Se eu fosse pré-candidata aqui pelo PT, eu chegaria no Lula e falaria: ‘Presidente, faça um gesto pela minha cidade, porque a aposentadoria dos servidores está lá dentro’. Porque punir as pessoas que fizeram isso, o Judiciário vai punir. O presidente do banco está preso. Os candidatos não trouxeram nenhuma proposta porque eles não sabem nem para onde vai.”
Menu