"BRB passou R$ 12 bilhões ao Master e recebeu guardanapos", diz Durigan
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, fez declaração durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a União não tem “nada a ver com o BRB”, cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal (GDF). “O tema do BRB começa com crime. O BRB tem boas operações, tem boas carteiras, mas ele basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu guardanapo de volta. Recebeu papel que não valia nada”, destacou o ministro, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco.
O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma crise de liquidez após as operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo o presidente do BRB, Nelson de Souza, pelo menos R$ 8,8 bilhões da carteira de créditos do Master comprada pelo banco correspondem a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
“Estamos falando de uma situação que o governo do DF é o único acionista. Na União, no meu caso aqui, do governo federal, não temos nada que ver com o BRB. O BRB é um banco cujo acionista principal é o governo do DF, que dilapidou o patrimônio, seja do DF, seja do banco. É disso que estamos falando, de uma origem criminosa, de um problema grande”, dise Durigan.
O ministro da Fazenda afirmou ter levado ao Supremo Tribunal Federal (STF) a posição do Banco Central (BC), que apontou não haver risco sistêmico em uma eventual liquidação ou extinção do BRB.
No final de maio, o BRB fechou um acordo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que foi homologado pelo STF. “A atual governadora, Celina Leão, entrou com uma ação no Supremo dizendo: ‘A União tem que vir me ajudar’. E aí eu disse no Supremo: ‘De jeito nenhum. Isso aí é um problema do DF’. O DF tem fundos constitucionais para lidar com isso. A União pode ajudar na discussão com o sistema financeiro, trazer o Banco Central. E o Banco Central disse, na mesa do Supremo: ‘Não tem risco sistêmico o eventual fato do BRB ser liquidado ou extinto’”, ressaltou Durigan.
O ministro também destacou, durante a entrevista, que “de fato tem problema para a população do DF”. “Agora, o BRB está mostrando para o sistema privado, para o FGC, para os bancos, qual é o caminho de saída e os bancos estão se convencendo ou não de que o BRB tem um plano consistente para receber essa ajuda e se transformar em uma instituição que siga com seriedade.”