Correio da Manhã
Brasil e Argentina

Durigan chama Milei de 'palhaço' e defende economia do Brasil

Ministro da Fazenda reage às críticas do presidente argentino, compara indicadores econômicos dos dois países e afirma que não há risco de recessão para a economia brasileira

Durigan chama Milei de 'palhaço' e defende economia do Brasil
Ministro da Fazenda, Dario Durigan Crédito: Lula Marques/Agência Brasil.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, elevou o tom contra o presidente da Argentina, Javier Milei, nesta segunda-feira (27), ao afirmar que a economia brasileira apresenta indicadores mais sólidos do que a do país vizinho. Durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, o ministro classificou Milei como "palhaço" e rebateu as declarações feitas pelo argentino durante sua passagem pelo Brasil no último fim de semana.

Segundo Durigan, o Brasil registra desempenho superior em diversos indicadores econômicos, incluindo inflação, mercado de trabalho, balança comercial e risco soberano. O ministro destacou que o país atravessa um período de baixa taxa de desemprego, redução da inflação, safra agrícola robusta e queda nos índices de desmatamento.

"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta e a inflação é muito mais alta", declarou o chefe da equipe econômica.

Ministro rebate discurso de Javier Milei no Brasil

A resposta de Durigan ocorre após a participação de Javier Milei no evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, realizado em São Paulo.

Durante o discurso, o presidente argentino fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atacou políticas sociais adotadas pela atual gestão e dirigiu ofensas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao comentar a negativa de autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Milei também afirmou que a América Latina vive um processo de fortalecimento de governos de direita e associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a essa mudança no cenário político regional.

Durigan descarta recessão e fala sobre juros

Além da troca de críticas entre autoridades dos dois países, Dario Durigan comentou o cenário econômico brasileiro e afastou a possibilidade de uma recessão em 2027.

O ministro reconheceu que a manutenção da taxa de juros em patamar elevado reduz o ritmo da atividade econômica, mas avaliou que esse movimento faz parte da política monetária para controlar a inflação.

Segundo ele, a expectativa do governo é de crescimento próximo de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, percentual que, segundo afirmou, não caracteriza uma recessão.

Durigan acrescentou que a redução dos juros dependerá da continuidade do equilíbrio das contas públicas, da preservação do arcabouço fiscal e de reformas voltadas à modernização do Estado e ao controle das despesas obrigatórias.

Brasil e Argentina apresentam cenários econômicos distintos

Apesar das críticas trocadas entre os governos, os dados econômicos mostram realidades diferentes para os dois países.

A Argentina conseguiu reduzir significativamente a inflação após a adoção do programa de ajuste fiscal implementado por Javier Milei desde o fim de 2023. O país encerrou 2025 com inflação de 31,5% — a menor desde 2017 — e crescimento econômico de 4,4%.

No Brasil, a inflação fechou o ano passado em 4,26%, enquanto a economia registrou expansão de 2,3%, em um ambiente marcado por juros elevados e desaceleração da atividade.

Banco Mundial destaca avanços argentinos, mas aponta riscos

Em relatório divulgado neste ano, o Banco Mundial avaliou que a Argentina tem apresentado recuperação econômica impulsionada pelo ajuste fiscal, pela redução dos subsídios, pelas reformas tributária e trabalhista e por medidas destinadas a estimular investimentos privados.

O organismo também destacou que a melhora na política fiscal contribuiu para reduzir o risco soberano e fortalecer a confiança dos agentes econômicos.

Ao mesmo tempo, o documento ressalta que o país ainda enfrenta desafios importantes, como a necessidade de financiamento externo, reservas internacionais reduzidas e acesso limitado ao mercado internacional de crédito.

Para o Brasil, o Banco Mundial projeta desaceleração gradual do crescimento econômico em razão das condições financeiras mais restritivas, do elevado nível dos juros e das incertezas no cenário internacional. Segundo a instituição, uma recuperação mais consistente dependerá da normalização da política monetária e de um ambiente externo mais favorável.