No primeiro semestre de 2026, os atendimentos na rede pública de saúde do Distrito Federal aos casos de Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) caíram 18,81% e 24,48%, respectivamente, se compararmos com igual período do ano passado.
Mesmo com o recuo de casos, a adesão à campanha de vacinação contra a Influenza segue abaixo do esperado, o que mantém a imunização restrita ao grupo prioritário.
A campanha já havia alcançado 41,7% deste público, conforme dados enviados à reportagem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-DF).
"O Ministério da Saúde (MS) orienta a manutenção da vacinação dos grupos prioritários, em razão da baixa cobertura vacinal, além do monitoramento dos estoques e da reserva de doses para a vacinação de rotina", respondeu a pasta em nota.
A cobertura alcançou 50,7% das gestantes, 45,2% dos idosos e 32,8% das crianças. A SES destacou que a média diária de vacinação é de 5 mil pessoas. Até o momento, não há previsão de estender a campanha ao público geral.
Para o Dr. Álvaro Madeira Neto, sanitarista, gestor em saúde e diretor da Associação Médica Cearense, a menor adesão às vacinas é um fenômeno multifatorial.
Ele cita que, após a pandemia da Covid-19, cresceu a polarização política no país, a circulação de desinformação nas redes sociais e a redução da confiança nas instituições.
O que, para Neto, representa um paradoxo. "Justamente porque as vacinas foram bem-sucedidas, muitas pessoas nunca presenciaram doenças como poliomelite, difteria ou sarampo em sua forma mais grave", ressaltou.
Ele explicou que, quando uma doença desaparece do cotidiano, a percepção de risco diminui, enquanto eventuais relatos de efeitos adversos passam a receber uma atenção desproporcional.
Outro ponto, segundo Neto, é que a velocidade de produção de dados na pandemia fez com que recomendações fossem atualizadas conforme novas evidências surgiam. Embora isso seja próprio da ciência, parte da população interpretou as mudanças como contradições.
"A resposta não é desqualificar quem tem dúvidas, mas investir em comunicação transparente e em educação em saúde", afirmou ele.
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