Correio da Manhã
Distrito Federal

Estudo busca entender feminicídios no DF

Levantamento ouviu mais de 5 mil pessoas e 39 autores do crime

Estudo busca entender feminicídios no DF

O Distrito Federal registrou 28 casos de feminicídios no ano passado. Com o objetivo de investigar o que leva homens a matarem mulheres no DF, foi lançado, na última sexta-feira (12), o Panorama da Violência Contra as Mulheres no DF. O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Mulher.

A pesquisa buscou medir as diferentes formas de violência contra a mulher no Distrito Federal, incluindo os contextos em que elas ocorrem e a percepção da sociedade sobre o problema, além de compreender as motivações de homens presos por feminicídio.

O levantamento ouviu mais de 5 mil pessoas e 39 autores de feminicídio presos no Complexo da Papuda para mapear fatores associados à violência contra a mulher e subsidiar políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção.

Dependência Financeira

Entre os resultados, 77,6% das mulheres relataram já ter vivido alguma situação de violência ao longo da vida; 44,8% reconhecem ter sido vítimas e, entre essas, 15,4% ainda mantêm relação com o agressor.

A dependência financeira aparece como principal fator associado à violência por parceiros íntimos. Ainda de acordo com o levantamento, 21,5% das mulheres entrevistadas sofrem alguma violência atualmente.

O estudo também aponta dificuldade no reconhecimento de formas de violência: 49,4% dos entrevistados não consideram que negar acesso ao próprio dinheiro seja sempre violência. Apenas 33,8% das mulheres e 19,7% dos homens identificaram corretamente todas as situações apresentadas.

A pesquisa identificou diferenças regionais: em áreas de maior renda, a percepção do aumento da violência é menor, mas o reconhecimento das situações de violência é mais preciso; já em regiões de menor renda ocorre o inverso.

Na etapa qualitativa da pesquisa, que ouviu homens condenados por feminicídio, os pesquisadores identificaram históricos marcados por violência familiar, punições físicas na infância, modelos autoritários de criação e visões tradicionais sobre papéis de gênero.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou a assinatura de um decreto para institucionalizar o estudo, que passará a ser realizado a cada dois anos.

"A maioria das pesquisas sobre violência contra as nossas mulheres não é feita por órgãos públicos; são realizadas por ONGs e outras entidades. A institucionalização de pesquisas públicas, porém, indica um caminho, uma direção sobre o que está acontecendo e como enfrentar esse desafio", destacou Celina Leão.