O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, afirmou nesta terça-feira (9), durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o processo de recuperação do BRB após as operações realizadas com o banco Master tem sido "cruel".
De acordo com ele, o volume de recursos envolvidos nas operações de compra e venda de carteiras foi elevado e trouxe impactos significativos para a instituição. "O que foi feito com o BRB foi cruel, foi muito difícil. Não está sendo fácil a recuperação do BRB. Os valores colocados foram muito grandes entre compra e venda de carteiras", declarou.
Perdas
Durante a audiência, Nelson de Souza confirmou que o BRB precisará de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a "possíveis perdas" decorrentes da aquisição de carteiras podres do Banco Master. Segundo o presidente, o "provisionamento" ou "capitalização" funcionará como uma reserva financeira destinada a preservar a solidez da instituição e evitar a quebra.
Souza esclareceu que as transações realizadas entre o BRB e o Master, entre 2024 e 2025, totalizaram R$30 bilhões. O volume foi alvo de análise após a deflagração da operação Compliance Zero. Desse montante, R$ 21,9 bilhões foram incorporados ao patrimônio do BRB como ativos.
Segundo o presidente, R$ 12,12 bilhões desse total passaram a ser investigados no âmbito da operação. E pelo menos R$ 8,8 bilhões correspondem a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
A partir dessas constatações, o BRB ampliou a revisão das demais carteiras adquiridas. De acordo com o presidente do BRB, a instituição passou a analisar todos os ativos envolvidos na transação para determinar o que precisaria ser provisionado. "Eu podia colocar [na provisão de perdas] só os R$ 2,6 bi que simplesmente não existem, mas não é só isto. Existem outros ativos frágeis que, na análise que fizemos, chegam a R$ 8,8 bi", explicou Souza.
Souza defendeu a aprovação do Projeto de Lei 2361/2026, que trata da autorização para realizar o empréstimo de R$6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O projeto foi enviado à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), pela governadora Celina Leão (PP) na semana passada, mas os deputados distritais adiaram a votação. Eles apontam falta de transparência e de informações concretas na proposta.
O convite para a participação do presidente do BRB foi solicitado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
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