Correio da Manhã
Distrito Federal

Deputados adiam votação do PL que "salva" BRB

Parlamentares apontaram falta de transparência do GDF

Deputados adiam votação do PL que "salva" BRB

Deputados distritais decidiram adiar a votação do Projeto de Lei 2361/2026, que trata da autorização para realizar o empréstimo de R$6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O projeto foi encaminhado pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), nesta terça-feira (2), à Câmara Legislativa do DF (CLDF) e busca ratificar o acordo que foi fechado na última quinta-feira (28) entre a União e o GDF, no Supremo Tribunal Federal (STF), para destravar o empréstimo para socorrer o BRB que enfrenta uma crise de liquidez após operações com o banco Master.

O acordo deverá ocorrer mediante empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com garantia de fiança oferecida por sindicato de bancos e contragarantia oferecida pelas verbas do Distrito Federal do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sem que haja aval da União mas o governo federal concordou em ampliar o limite de crédito do DF para viabilizar o plano de socorro ao BRB.

Segundo o texto do projeto enviado à CLDF, o objetivo é ratificar os termos do acordo homologado pelo STF. "A autorização legislativa pretendida confere maior segurança jurídica à implementação das obrigações decorrentes do acordo, assegurando plena transparência institucional e observância do princípio da legalidade na condução da operação", diz trecho da proposta.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal estava esvaziada nesta terça-feira, quando estava previsto que o PL fosse votado. O presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), chegou, inclusive, a suspender os trabalhos por falta de quórum. Seis deputados estavam presentes. Durante a sessão, o deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) criticou a forma como o GDF tem conduzido a crise do BRB e afirmou que o projeto não salvará o banco, mas dará, mais uma vez, um cheque em branco ao governo.

"O debate no Colégio de Líderes, mais uma vez, é sobre a crise que o governo Ibaneis e Celina colocaram no Distrito Federal. E aí, por conta da crise, por conta da falta de transparência e da falta de dados, a reunião foi sem nenhum documento, sem nenhum número. O pedido do governo foi: confia que vai dar certo", afirmou.

"É falta de respeito com a cidade, com os órgãos de controle, com esta Casa e com os servidores. A base do governo está desconfortável de vir ao plenário porque obviamente não dá para votar um projeto que não salva o BRB, não salva Brasília e ainda dá mais um cheque em branco para um governo que não tem nenhuma credibilidade", declarou.

O deputado Max Maciel (Psol-DF) afirmou que votará contra o projeto. Ele também questionou a falta de transparência do projeto.