Um dia após o primeiro turno das eleições, Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) deram início às estratégias para conquistar os votos que definirão o próximo governador do Distrito Federal no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com 100% das urnas apuradas pela Justiça Eleitoral, Celina alcançou 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass obteve 34,47%.
Celina ficou próxima de garantir a reeleição ainda no primeiro turno. Recebeu 825.530 votos, mas não atingiu a maioria necessária dos votos válidos. Já o petista teve 569.930 votos.
Nesta segunda-feira (5), Celina se reuniu com os presidentes dos partidos que integram sua coligação. Após a reunião, concedeu entrevista à imprensa e afirmou que muitos eleitores confundiram o número dela nas urnas.
"O eleitor se confundiu muito de votar 22 para governador. Nosso número é o 11. Nós nem teríamos segundo turno se essas pessoas tivessem se atentado a isso. Neste segundo turno é isso, continuar mostrando nosso trabalho, mostrando nosso número correto", afirmou.
Apesar de afirmar que está conversando com outros candidatos que disputaram, Celina citou apenas uma ligação para Kiko Caputo (Novo). "A gente está conversando com outros candidatos. Eu liguei para o Kiko e falei com ele por telefone. Ele é uma pessoa de direita. Brasília vai se alinhar ao lado certo."
Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB) não foram citados. No domingo, após agradecer aos eleitores, Belmonte esclareceu que qualquer decisão em relação ao apoio a um dos candidatos no segundo turno seria precedida por diálogo com o partido.
Já Cappelli, declarou voto ao candidato Leandro Grass. Tanto Cappelli quanto Belmonte adotaram uma postura bastante combativa durante a campanha com uma série de críticas à atual governadora e candidata à reeleição, especialmente a crise do Banco de Brasília (BRB).
Celina também comentou sobre a possibilidade de participar de debates com Leandro Grass. Apesar de ter optado por não comparecer aos debates promovidos por veículos de comunicação antes das eleições de primeiro turno, ela afirmou que, agora, terá mais espaço.
"A gente deve ir em alguns. Agora são só dois candidatos e agora fica mais fácil para a gente debater. A gente não conseguiu falar muito nos outros debates. A gente nunca se escondeu de falar", disse.
O candidato Leandro Grass afirmou a jornalistas que iniciou os diálogos para "formar uma frente ampla democrática em defesa de Brasília".
"Liguei para os candidatos que concorreram comigo, liguei para o vice-governador Arruda, para Paula Belmonte, para o Kiko, para o Cappelli, que declarou voto em mim. E agora é juntar todas as pessoas que querem o bem da nossa cidade e fazer Brasília viver um novo momento."
Grass destacou que o segundo turno representa uma nova campanha. Ele defendeu que, nesta etapa da disputa, o foco deve estar na apresentação de propostas para enfrentar problemas críticos de Brasília, especialmente nas áreas de saúde, segurança pública e educação.
"É o momento agora em que há mais igualdade de condições. A população tem mais chance de entender quem é quem, conhecer a história de cada um, a minha é limpa, não tem nenhuma denúncia. Já da minha adversária não."
Para o cientista político Leandro Gabiati, Celina deve manter a estratégia do primeiro turno, apoiada no desempenho nas urnas e no apoio das senadoras eleitas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. "Celina deve manter seu aparato de campanha e os aliados mobilizados."
Já Grass, segundo Gabiati, precisará ampliar o diálogo com os candidatos derrotados, embora enfrente diferenças ideológicas."Ele tem a obrigação de articular, conseguir apoio, de aumentar os pontos que ele conquistou no primeiro turno."
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