Valentina Nobre Lima, de 11 anos, morreu no último domingo (5), no Hospital Santa Lúcia Norte, na Asa Norte, após passar cerca de três semanas internada devido a uma picada de escorpião.
O acidente aconteceu no Riacho Fundo I, em 11 de junho, quando a menina se preparava para ir à escola e acabou pisando em um escorpião escondido no seu tênis.
Devido à dor inicial, Valentina disse que não conseguiu tirar o pé do calçado de imediato, relatando à família que sentiu três picadas antes de se livrar do animal.
Ela foi levada por familiares até o 6º Grupamento de Bombeiro Militar, no Núcleo Bandeirante, mas relataram que não conseguiram socorro no local. A transportaram então para o Hospital Regional do Guará (HRGu), onde recebeu o soro antiescorpiônico.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que, ao chegar, Valentina recebeu atendimento imediato com as medidas adotadas para a estabilização do quadro clínico. A pasta ressaltou que, durante todo o período em que permaneceu na unidade, a paciente foi acompanhada continuamente pela equipe médica.
Já a família da criança contesta essa versão, afirmando que, após os médicos sugerirem que a menina fosse levada a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), eles ainda teriam esperado oito horas por uma ambulância e um leito hospitalar.
No entanto, a SES-DF alega que Valentina recebeu atendimento médico imediato enquanto esperava um leito.
Ainda segundo a pasta, ela foi inserida no sistema de regulação, que segue critérios técnicos considerando a gravidade e a prioridade clínica de cada paciente para a disponibilização de vagas.
O quadro de Valentina se intensificou depressa. Durante a primeira madrugada de internação, ela sofreu três paradas cardíacas consecutivas. A criança ficou em coma induzido e permaneceu entubada por semanas, mas não resistiu às lesões.
Acidentes aumentaram
O caso chama atenção para o crescente número de acidentes com escorpiões no Distrito Federal, tornando-se uma preocupação recorrente para a saúde pública.
Nos primeiros cinco meses deste ano, foram 2.239 ocorrências - um aumento de cerca de 8% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registradas 2.072 notificações.
Segundo a Secretaria de Saúde, em todo o ano de 2025 no DF, houve 4.640 casos de acidentes de escorpionismo.
Além do caso de Valentina, a pasta informou outros dois óbitos registrados nos últimos cinco anos em Brasília: um em 2022 e outro em 2024. As ocorrências envolveram crianças nas faixas etárias de 1 a 4 anos e de 5 a 9 anos.
Como evitar
De acordo com as orientações do Instituto Butantan, os escorpiões preferem ambientes quentes e úmidos.
Eles se alimentam de baratas e outros animais que são atraídos por lixo. Assim, eles procuram entulhos e se escondem em redes de esgoto, tubulações de água e de energia. Recomenda-se que caixas de esgoto, redes telefônicas e elétricas estejam vedadas, bem como a ligação destas com o interior das casas, em interruptores, ralos e tomadas.
A Secretaria de Saúde informou que todos os hospitais da rede estão abastecidos com soro antiescorpiônico.
Além disso, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), vinculado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), é referência no atendimento a casos de emergências toxicológicas, inclusive envolvendo animais peçonhentos. O serviço possui atendimento 24 horas pelos telefones: 0800 644 6774 e (61) 9 9288-9358.
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