Correio da Manhã
Centro-Oeste

PicPay e BRB são alvos de ação do MPDFT

PicPay e BRB são alvos de ação do MPDFT

Por Isabel Dourado

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na última sexta-feira (19), a Operação Juro Zero para aprofundar as investigações de um suposto esquema de fraude na folha de pagamento de servidores públicos do DF. A investigação também apura a participação do então secretário de Economia do Distrito Federal, Ney Ferraz Júnior, e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

A suspeita é de que contratos antigos de crédito consignado geraram descontos irregulares nos salários dos servidores públicos distritais, beneficiando empresas particulares, associações e servidores públicos.

Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB) - responsável pelos pagamentos, a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev), o banco digital PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do DF (ASPDF).

Eduardo Chedid Simões, diretor do banco digital PicPay, também está sendo investigado. O Ministério Público cumpriu 50 mandados de busca e apreensão, em Brasília, em Curitiba e em São Paulo, onde fica a sede da PicPay. Não houve mandados de prisão.

Segundo a investigação, o esquema teria sido estruturado em duas frentes. A primeira envolve o produto denominado "antecipação salarial, sem ônus para o Distrito Federal", ofertado pela Conta PicPay e pelo Cartão Benefício. Há indícios de que a modalidade tenha funcionado como operação de crédito com cobrança de encargos financeiros, embora tenha sido apresentada como serviço sem juros.

Os descontos vinculados ao produto ultrapassaram R$ 80 milhões. Em 2024, os valores dos empréstimos a título de "antecipação salarial" descontados eram de R$ 11,7 milhões. Até agosto de 2025, o valor ultrapassou R$ 70 milhões mediante a cobrança de juros.

A investigação revela que a modalidade foi implementada sem estudos prévios sobre impactos econômico-financeiros para os servidores, sem definição de limites para as cobranças e sem mecanismos adequados de fiscalização. Para o MPDFT, os percentuais cobrados teriam alcançado, em alguns casos, taxa efetiva anualizada superior a 261% ao ano.

A segunda frente investigada envolve descontos realizados em favor da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) e de empresas a ela relacionadas, entre elas a JR Serviços de Informações Cadastrais Ltda. (CBBrazil), a Peak Sociedade de Empréstimo entre Pessoas S.A. e a Vemcard. Segundo as apurações, essas empresas ofereciam operações de crédito a servidores públicos por meio de descontos em folha vinculados a códigos destinados a benefícios associativos e de saúde.

O MPDFT apura possíveis irregularidades na utilização dessas rubricas e a existência de cobranças sem autorização dos servidores.