O Governo do Distrito Federal (GDF) vai transferir o Centro Pop da Asa Sul para um novo endereço. A decisão foi anunciada, na segunda-feira (15), pela governadora Celina Leão (PP), após reunião com secretários de diversas áreas para discutir medidas integradas de atendimento à população em situação de rua.
De acordo com a governadora, a mudança ocorre devido a questões de insegurança e relatos de aumento no tráfico de drogas na região. "É uma decisão corajosa, mas necessária. Se você for ouvir os relatos das situações que estão ocorrendo lá, do tráfico de drogas que estava acontecendo naquela região, o Estado não pode realmente fazer de conta que nada está acontecendo ali", afirmou Celina Leão.
Segundo o último Censo de 2025, realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF), a capital possui 3.521 pessoas em situação de rua, aumento de 19,4% em relação ao último Censo, realizado em 2022. Desse total, 121 são crianças e adolescentes. O Plano Piloto concentra 25,5% dessa população, e Ceilândia vem em seguida com 20,4%.
A governadora afirmou que a determinação dada às equipes é escolher um novo local que permita manter o atendimento à população em situação de rua sem comprometer a segurança da região. "Nós vamos transferir esse espaço de acolhimento. Temos projetos exitosos, como o Hotel Social, que já está funcionando, e vamos trazer esse acolhimento para outro local, que não seja naquela região, ao lado de escolas."
Além da transferência do Centro Pop, o GDF discutiu a implementação de um cadastro integrado da população em situação de rua, reunindo informações de diferentes órgãos para permitir atendimentos mais precisos e articulados.
A ferramenta será desenvolvida com apoio da área de tecnologia do GDF e deve facilitar o cruzamento de dados entre assistência social, saúde, segurança pública e justiça.
Além disso, foi discutido sobre o projeto de lei Projeto de Lei nº 2367/2026, de autoria do Poder Executivo. A proposta estabelece diretrizes para atendimento integrado à população em situação de rua, com foco na dignidade humana, acesso a direitos e atenção à saúde física e mental.
O PL também foi debatido na segunda-feira (15) pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Câmara Legislativa do DF. O presidente da comissão, deputado Fábio Felix (PSOL), mostrou preocupação com o conteúdo da proposta e com a tramitação em regime de urgência.
"Esse projeto cria uma expressão esdrúxula — 'internação humanizada' —, sem critérios objetivos, e pode servir como instrumento para restringir direitos", afirmou.
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