A segunda edição do Águas de Oxalá realiza atividades no Distrito Federal para promover rituais de lavagem ligados às tradições afro-brasileiras e ampliar ações de formação cultural abertas ao público até sábado (13).
A programação ocupa o Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante, com oficinas, vivências e o encerramento marcado pela Lavagem Cultural e Festival de Acarajé.
A iniciativa já passou pelo Complexo Cultural de Samambaia e pela Chácara do Pai Jorge, no Setor Pôr do Sol, e terá etapa final na Associação Papo de Mãe, em data ainda a ser definida.
Idealizado por Mãe Francys Baiana do Acarajé, também conhecida como Doné Francys de Oyá, o projeto tem como objetivo principal difundir conhecimentos sobre práticas religiosas e culturais de matriz africana e ampliar o acesso da população a manifestações relacionadas à ancestralidade e à memória coletiva.
A programação está organizada em duas frentes: oficinas formativas e rituais de lavagem. As atividades educativas têm carga horária de 20 horas, com turmas de até 20 participantes, mediante inscrição. Os encontros abordam temas como história das lavagens, indumentárias, musicalidade, culinária e os significados simbólicos presentes nesses ritos.
Após as aulas, os participantes são convidados a integrar os cortejos realizados com a comunidade. As celebrações são conduzidas em homenagem aos orixás Oxalá, Iemanjá e Oxum e seguem uma tradição que combina elementos das religiões afro-brasileiras e práticas associadas ao catolicismo popular, expressão consolidada historicamente pelo sincretismo religioso.
Os rituais têm duração média de três horas e são abertos ao público. Durante os encontros, participantes vestidos de branco percorrem os espaços ao som de atabaques e cânticos afro-religiosos enquanto realizam a lavagem simbólica com água de cheiro e ervas. O ato representa renovação, purificação e fortalecimento dos vínculos comunitários.
Debate
Conforme divulgado pela organização, além do caráter cultural e religioso, o projeto busca estimular o debate sobre respeito à diversidade religiosa e enfrentamento ao racismo religioso. A proposta também reforça o reconhecimento das tradições afro-brasileiras como parte da formação social e cultural do país.
A tradição das lavagens tem origem em rituais de purificação de povos africanos e ganhou novas formas no Brasil ao longo dos séculos. Entre as referências mais conhecidas está a Lavagem do Bonfim, na Bahia, considerada uma das principais manifestações públicas desse patrimônio cultural. O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC-DF).
Menu