Correio da Manhã
CORREIO CENTRO-OESTE

Defensoria Pública do Distrito Federal corrige prisões indevidas na Papuda

Inspeção realizada no fim de maio identificou quatro custódias irregulares no Centro de Detenção Provisória (CDP)

Defensoria Pública do Distrito Federal corrige prisões indevidas na Papuda
Quatro detenções foram regularizadas em inspeção na Papuda Crédito: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) identificou e corrigiu quatro casos de prisões indevidas durante inspeção realizada no fim de maio no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda.

A ação ocorreu no âmbito da tutela coletiva de presos provisórios e levou à regularização da situação dos custodiados, com cumprimento de decisões judiciais, emissão de alvarás de soltura e adequação do regime.

Entre as ocorrências encontradas estava a de um homem que possuía alvará de soltura expedido pela Justiça do Pará. Apesar da determinação judicial, a medida ainda não havia sido executada pela unidade prisional.

Após a atuação da instituição, a ordem foi cumprida e a situação processual foi regularizada.

Outro caso envolveu um condenado que estava alojado em um espaço destinado a pessoas que aguardam julgamento. A permanência ocorria em desacordo com o regime definido na sentença.

A DPDF adotou providências e obteve a expedição da carta de guia, necessária para o encaminhamento ao local compatível com a determinação judicial.

Também foi identificado um custodiado com processo originário de Dracena, em São Paulo. Embora tivesse sido condenado ao regime aberto, ele continuava preso no Distrito Federal sem a regularização necessária.

A solução ocorreu após a articulação entre a Defensoria do DF e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo (Dpesp), com participação do Núcleo de Execuções Penais (NEP/DPDF) da instituição local. A medida permitiu a emissão do alvará de soltura.

A quarta situação envolveu uma pessoa submetida a medida de segurança. Segundo a Defensoria, ela estava em unidade incompatível com sua condição e permanecia internada além do prazo previsto.

Havia um pedido apresentado pelo NEP/DPDF desde dezembro de 2025, mas a questão só foi resolvida após nova intervenção da instituição, que resultou na liberação e no encaminhamento adequado do paciente.

De acordo com o defensor público e coordenador do Núcleo de Assistência Jurídica das Audiências de Custódia e da Tutela Coletiva dos Presos Provisórios da DPDF, Alexandre Fernandes Silva, as inspeções e a atuação coletiva são importantes para corrigir ilegalidades individuais e enfrentar problemas estruturais do sistema prisional.

Conforme o defensor, esse acompanhamento permite identificar irregularidades que afetam a legalidade das custódias.

A tutela coletiva desenvolvida nas unidades prisionais busca ampliar a análise sobre as condições do sistema carcerário.

Segundo a DPDF, o trabalho contribui para localizar falhas nem sempre percebidas no acompanhamento dos processos.