Por Isabel Dourado
Começou nesta segunda-feira (25) a Audiência de Instrução e Julgamento do ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, no Tribunal do Júri de Águas Claras. Pedro é acusado de assassinar o adolescente Rodrigo Fleury Castanheiro, 16 anos. No dia 22 de janeiro após sair de uma festa em Vicente Pires, Distrito Federal, a vítima foi espancada e ficou em estado gravíssimo. Familiares e amigos da vítima organizaram mobilizações nas redes sociais e acompanham o ato em frente ao Fórum. Albert Halex, advogado que representa a família de Rodrigo Castanheira, classificou a audiência como "momento crucial" na busca de justiça pelo adolescente.
A Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) é considerada uma etapa fundamental do processo judicial em que o juiz reúne as partes, advogados e testemunhas para a produção de provas orais (como depoimentos e perícias) e obrigatória da primeira fase dos processos. É uma das fases mais cruciais do processo e serve para esclarecer os fatos e embasar a sentença. Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), dez testemunhas foram ouvidas ao longo do dia. Após o encerramento das oitivas, começou o interrogatório do réu.
Indiciamento
Até agora, apenas Pedro Turra foi denunciado por homicídio doloso pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Ele permanece preso no Centro de Detenção Provisória, no Complexo da Papuda desde o dia 30 de janeiro. Ao menos sete pedidos de habeas corpus foram apresentados pela defesa do réu. Todos foram negados pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Durante a briga que foi gravada, Pedro Turra desferiu vários socos contra Rodrigo. Ele sofreu traumatismo craniano severo e foi levado ao hospital em estado crítico. Rodrigo passou por uma cirurgia de emergência para drenagem de sangue no crânio, após o rompimento de uma artéria.
O jovem ficou internado por 16 dias em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, em Águas Claras, e chegou a ter uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos. Devido aos danos, Rodrigo Castanheira não resistiu e morreu no dia 7 de fevereiro e foi sepultado no dia seguinte, no cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul, sob forte comoção dos familiares e amigos que pediram justiça pelo jovem.
Crime premeditado
A primeira versão apresentada apontava que a confusão entre Pedro Turra e Rodrigo Castanheira começou após Turra jogar um chiclete mascada em direção a um amigo da vítima. Rodrigo teria reagido em defesa do colega. No entanto, a Polícia Federal do Distrito Federal (PCDF) passou a investigar se essa versão estava sendo utilizada para encobrir a real motivação da agressão. De acordo com depoimentos prestados por testemunhas, Rodrigo pode ter sido vítima de uma emboscada motivada por ciúmes. A apuração mostra que Turra teria sido chamado para agredir Rodrigo por outro piloto menor de idade que se incomodou ao saber que o jovem estava conversando com uma ex-namorada.
A família de Rodrigo Castanheira tem realizado uma série de campanhas em busca de agilizar o processo e conseguir a condenação dos outros envolvidos no homicídio do jovem. A família também realizou uma passeata no dia 29 de março, no Centro de Brasília, para cobrar justiça e os outros indiciamentos.
Uma semana antes da Audiência de Instrução, a mãe de Rodrigo, Rejane Fleury, publicou nas redes sociais uma foto do filho em coma no hospital e cobrou justiça. "Foi assim que meu filho ficou por 16 dias antes de morrer vítima de uma emboscada de assassinos", escreveu na publicação. Até o fechamento desta edição, ainda não havia saído o resultado da audiência.