Centro-Oeste

BRB receberá R$ 4 bilhões da Quadra Capital, diz Celina

Governadora confirmou a ajuda ao banco, mas não citou data

BRB receberá R$ 4 bilhões da Quadra Capital, diz Celina

Por Isabel Dourado

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), confirmou nesta quinta-feira (14), que o Banco Regional de Brasília (BRB) deve receber R$ 4 bilhões da Quadra Capital referentes à negociação de ativos que o BRB comprou do banco Master, de Daniel Vorcaro. A informação sobre o repasse foi confirmada durante o III Encontro Nacional das Agências Reguladoras, realizado no Clube Naval de Brasília. Celina não confirmou quando a transferência será feita.

A gestora Quadra Capital formalizou a proposta de adquirir até R$15 bilhões em carteiras do Master compradas pelo BRB em abril. Sendo que o valor de R$4 bilhões seriam repassados à vista e o restante pago em cotas subordinadas de um fundo de investimentos.

Na ocasião, o Banco de Brasília informou, em fato relevante, a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora para a criação de um fundo voltado à transferência desses ativos. A gestora fundada em 2016 é focada na compra de ativos de risco jurídico e de baixa liquidez. Atualmente a Quadra Capital gere os recursos de 44 fundos de investimento, que somam R$3,9 bilhões de 336 investidores, entre pessoas e empresas. Apesar do comunicado do BRB, não ficou claro quais ativos seriam vendidos, já que as carteiras do banco Master não têm lastro.

Liquidez

Apesar do anúncio da transferência do valor, especialistas avaliam que vender ativos não resolverá o problema do BRB. Segundo o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), José Luís Oreiro, o que a gestora está oferecendo é apenas um alívio de liquidez para o BRB.

"O problema do BRB, é que o passivo do banco é maior que o ativo. Vender ativo não resolve esse problema. O que resolve o problema é fazer um aporte de capital. Porque neste momento, o capital próprio do BRB é negativo. Para salvar o BRB da falência, tem que haver aporte de capital", esclareceu ele.

De acordo com o professor Oreiro, a venda de ativos solucionará apenas o problema de liquidez. "Ou seja, o banco tem compromissos vencendo, não tem dinheiro em caixa e vende ativos para atender a compromissos imediatos. Mas isso não resolve o problema de solvência".

A governadora Celina Leão tem mantido o otimismo sobre a negociação para a capitalização do Banco de Brasília. A instituição tem até o final deste mês para divulgar o balanço consolidado de 2025, que deveria ter ocorrido até 31 de março.

Suspensão

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem decidir em plenário presencial o uso de bens móveis para fortalecer o caixa do BRB. O julgamento tinha começado no plenário virtual na manhã do dia 8 de maio com o voto do ministro Edson Fachin. No entanto, o ministro Flávio Dino pediu destaque.

O ministro Fachin, suspendeu no dia 24 de abril a decisão do desembargador Rômulo de Araújo do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) que proibia o GDF de realizar transferência e a alienação de bens públicos para capitalização da instituição.