☰
✕

Imagem de Nossa Senhora Aparecida é encontrada sem cabeça em Cuiabá

Arquidiocese repudia episódio e pede apuração. Caso ocorre em meio à circulação de informações falsas envolvendo Flávio Bolsonaro e a condição da santa como Padroeira do Brasil

Por Bianca Lobianco

Imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada sem a cabeça na Cruz do Chilão, em Cuiabá.

Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada quebrada e sem a cabeça junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá (MT). A situação foi registrada na noite de sexta-feira (25) por uma mulher que esteve no local e posteriormente ganhou repercussão nas redes sociais.

Até o momento, não há informação sobre quem danificou a peça, quando isso aconteceu ou se a imagem foi quebrada no próprio ponto religioso. A Polícia Civil de Mato Grosso informou que não localizou registro de ocorrência relacionado ao episódio.

Sem uma investigação formal conhecida até agora, também não é possível determinar a motivação para o dano. A Arquidiocese de Cuiabá, por sua vez, classificou o caso como vandalismo, repudiou ataques contra símbolos religiosos e pediu que as autoridades apurem o ocorrido e identifiquem eventuais responsáveis.

Em nota, a instituição afirmou repudiar "toda forma de intolerância religiosa, vandalismo e violência contra símbolos de fé". A Arquidiocese também lembrou que a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício dos cultos religiosos são garantidos pela Constituição.

A Cruz do Chilão, onde a imagem foi encontrada, fica entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra e integra a memória histórica, cultural e religiosa de Cuiabá. O local reúne tradições católicas e elementos relacionados à cultura de povos de matriz africana.

O episódio ganhou ainda mais repercussão por ocorrer em meio a uma controvérsia eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Nos últimos dias, publicações nas redes sociais associaram o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma suposta proposta para retirar ou modificar a condição da santa como Padroeira do Brasil.

A informação de que Flávio apresentou o projeto é falsa. A proposta citada nas publicações foi apresentada em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli. O texto pretendia alterar a legislação para que Nossa Senhora Aparecida fosse denominada "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos", em vez de Padroeira do Brasil.

A proposta acabou arquivada pela Câmara dos Deputados em 2008. Flávio Bolsonaro negou, em 24 de setembro, qualquer relação com o projeto e afirmou que não pretende retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

A controvérsia voltou a circular durante a campanha eleitoral de 2026 e ganhou dimensão nacional nas redes sociais. O episódio também provocou reações no meio político e religioso diante da utilização do nome de Nossa Senhora Aparecida na disputa eleitoral.

Apesar da proximidade temporal entre os acontecimentos, não há, até agora, evidência de ligação entre a imagem encontrada sem cabeça em Cuiabá e a controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro. Também não está estabelecido que o dano tenha sido provocado por intolerância religiosa ou por motivação política.

Nossa Senhora Aparecida é oficialmente reconhecida como Padroeira do Brasil pela Lei nº 6.802, de 1980. A legislação também estabeleceu 12 de outubro como feriado nacional dedicado ao culto público e oficial à santa.