O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que a mesma empresa responsável por movimentar recursos do filme “Dark Horse”, que conta a história política de Jair Bolsonaro, recebeu dinheiro do crime organizado. A declaração foi feita a partir da deflagração da terceira fase da Operação Carbono Oculto, que revelou ligação entre a máfia dos combustíveis e o esquema de precatórios do Master.
“Nós estamos falando de uma administradora, de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do [Banco] Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper”, disse o ministro.
A Entre Investimentos pertence a Antônio Carlos Freixo Junior. A empresa é ligada ao Banco Master e funcionou para lavagem de dinheiro e compra de uma distribuidora de combustível vinculada ao crime organizado. A mesma empresa teria sido utilizada para repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”.
“A movimentação que foi identificada na terceira fase da Carbono Oculto é de R$ 11 bilhões. Por essas várias camadas da ‘lavanderia’, que virou parte do nosso sistema financeiro e que nós estamos encarregados aqui de poder elucidar”, afirmou Durigan.
Freixo, dono da Entre Investimentos, é conhecido como “Mineiro”. O empresário é apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro de Vorcaro. Mineiro assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no início de setembro.
Além de Mineiro, estão entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, seus irmãos, André e Bruno Tupinambá.
A Entre Investimentos faz parte do grupo Entrepay e foi liquidada em março deste ano pelo Banco Central (BC). A decisão do BC foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira” da Entrepay, além de irregularidades no cumprimento das normas que regem o setor e prejuízos considerados capazes de expor credores a um risco anormal.
“Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações [“Dark Horse”] vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso. Aí é muito complicado você identificar o que que é cada coisa. Se tem dinheiro do PCC, se tem dinheiro de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo”, disse Durigan.
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