Dino autoriza abertura de nova investigação contra Lulinha
Terceiro inquérito aberto a pedido da PF vai apurar suposto envolvimento em grupo que teria mantido negócios ilícitos com setores do governo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou a abertura do terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. A investigação da Polícia Federal (PF) vai apurar a suspeita de participação de Lulinha em negócios ilícitos envolvendo setores do governo federal. O empresário é alvo de outras duas investigações por suposto tráfico de influência e corrupção.
A decisão de Dino também determinou a apuração de vazamentos de informações sigilosas relacionados à rede que atuava junto a órgãos federais para favorecer contratos com empresas de pessoas investigadas.
A PF investiga se Lulinha negociava acesso de empresas a órgãos do governo federal em troca de pagamentos. O primeiro inquérito investiga se o empresário atuou a favor de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, junto ao Ministério da Saúde para regulamentação e venda de produtos à base de canabidiol para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Na segunda investigação, Lulinha é apontado por ter supostamente favorecido um empresário em negociação com o Dataprev.
Para a defesa de Lulinha, a abertura do terceiro inquérito não foi surpresa. Os advogados do empresário avaliam que a investigação vai ajudar a esclarecer pontos sobre as atividades pessoais e profissionais do filho do presidente.
A defesa critica ainda o que classifica como vazamentos "seletivos e criminosos" de informações da investigação com interesses político-eleitorais. A defesa de Lulinha pretende acionar o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) contra a PF alegando a prática de “pesca probatória”.
“Estão fazendo uma espécie de ‘melhor de 3’. Uma piada. ‘Não achei nada aqui e vou procurar ali’. Isso fragiliza as instituições, traz insegurança para o processo eleitoral, é uma contaminação inequívoca e vou pedir explicações”, disse o advogado Marco Aurélio de Carvalho.