Castro e Ramagem aparecem em lista de "mesada" de bicheiro alvo da PF

Ex-governador Cláudio Castro teria recebido "doação" de campanha de R$ 3,2 milhões; Ramagem teria recebido repasses que somam R$ 110 mil

Por Petrônio Viana

Alexandre Ramagem teria recebido repasses que somaram R$ 110 mil do bicheiro Adilsinho

Os nomes do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) aparecem na lista de políticos que receberiam “mesada” do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, alvo da Polícia Federal (PF) na 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na quinta-feira (2).

Na lista encontrada pela PF na residência de Adilsinho, o nome de Cláudio Castro aparece relacionado a um repasse de R$ 3,2 milhões para financiamento de campanha eleitoral, segundo informações do G1. Castro assumiu o governo do Rio de Janeiro em 2021, após a cassação de Wilson Witzel.

Fernando Frazão/Agência Brasil - Cláudio Castro aparece na lista de Adilsinho relacionado a um pagamento de R$ 3,2 milhões

Em 2022, disputou a reeleição e venceu a disputa. O então governador renunciou ao cargo em março deste ano, na véspera de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à inelegibilidade até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

A lista também cita o nome de Alexandre Ramagem como beneficiário de 4 pagamentos que totalizam quase R$ 110 mil. A relação não especifica o ano dos repasses, mas cita as datas de 02/09 (R$ 39,7 mil), 06/09 (R$ 30 mil), 21/09 (R$ 18,1 mil) e 29/09 (R$ 22 mil).

Ramagem fugiu para os Estados Unidos em setembro de 2025, depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi eleito deputado federal em 2022 pelo Rio de Janeiro. Ele teve o mandato cassado e perdeu o cargo de delegado da PF em dezembro, após o trânsito em julgado da sentença.

Operação Unha e Carne

A 5ª fase da Operação Unha e Carne deu sequência às investigações sobre um esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada “Máfia do Cigarro”. Por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes, foram cumpridos mandados contra Adilsinho e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos, e contra o pastor e empresário do ramo do tabaco, Márcio Poncio.

A decisão de Moraes também decretou o bloqueio de R$ 22 milhões dos envolvidos. A investigação integra as medidas determinadas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, sobre a atuação de organizações criminosas violentas e suas possíveis ligações com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.