A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Hawala para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as investigações, movimentou pelo menos R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas. Até a última atualização da operação, dez pessoas haviam sido presas.
A ofensiva reúne agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ao todo, foram expedidos dez mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu, no Paraná.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, a indisponibilidade de bens e o congelamento de participações societárias dos investigados.
Esquema atendia facções criminosas
Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado prestava serviços financeiros ao Terceiro Comando Puro (TCP) e era responsável por ocultar recursos ligados também ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações apontam que a organização utilizava empresas de fachada em diferentes estados para dar aparência de legalidade aos valores obtidos pelo tráfico de drogas. Entre as estratégias empregadas estava o chamado "smurfing", método que consiste na realização de diversos depósitos em pequenas quantias para dificultar a identificação das movimentações financeiras pelos órgãos de fiscalização.
Investigação começou com comércio de produtos falsificados
O caso teve início durante uma apuração conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que investigava uma empresa instalada no Complexo do São Carlos, na região central do Rio de Janeiro.
De acordo com a polícia, o estabelecimento comercializava produtos falsificados e recebia aparelhos eletrônicos roubados. O rastreamento dos responsáveis levou os investigadores à descoberta de uma ampla rede de empresas utilizadas para movimentar recursos ilícitos em diversos estados brasileiros.
Polícia apura possível ligação internacional
Durante o aprofundamento das investigações, os agentes identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa que, segundo a Polícia Civil, teria atuado na ampliação da circulação nacional e internacional do dinheiro proveniente das atividades criminosas.
As apurações também indicam movimentações relacionadas à região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, área monitorada por autoridades nacionais e internacionais devido ao histórico de operações financeiras ligadas à lavagem de dinheiro e ao financiamento de organizações extremistas.
Suspeita de conexão com estrutura ligada à Al-Qaeda
A Polícia Civil informou ainda ter identificado uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas.
Segundo os investigadores, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento associada à organização terrorista Al-Qaeda. A corporação ressaltou, no entanto, que a possível conexão ainda será aprofundada por meio da análise do material apreendido durante a operação.
Justiça aceita denúncia contra 22 investigados
O Ministério Público denunciou 22 pessoas por participação no esquema criminoso. A denúncia foi aceita integralmente pelo juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tornando todos os investigados réus no processo.
As investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a análise das conexões financeiras nacionais e internacionais apontadas durante a Operação Hawala.
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