Em novo relatório apresentado ao relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, a Polícia Federal (PF) afirma que o grupo criminoso supostamente chefiado por Daniel Vorcaro atuou para impedir a entrega de documentos que comprovam as ações da “Turma” em intimidações, monitoramento de alvos, extração ilegal de dados.
A ameaça ao grupo foi feita pela irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que morreu após atentar contra a própria vida na carceragem da PF em Belo Horizonte (MG). Em dificuldade financeira após a morte de Sicário, Joana Mourão afirmou, em conversas interceptadas pela PF, que teria arquivos capazes de “acabar com a família” de Daniel Vorcaro.
A responsabilidade pelo suporte à família de Sicário após sua prisão na 3ª fase da Operação Compliance foi atribuída a Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo”, integrante da “Turma” e braço direito do pai de Vorcaro, Henrique.
Em uma das mensagens interceptadas pela PF, Joana Mourão cobra dinheiro para pagar uma parcela de financiamento no valor de R$ 40 mil e uma prestação da residência onde mora. Manolo passou a negociar com um primo de Joana, Keysom Moreira, que disse considerar Joana Mourão “descontrolada”.
Em mensagens enviadas a Henrique Vorcaro, Manolo relata um encontro com Joana e a mãe, em abril. “Estamos conversando com a mãe aqui. Vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo para o nome dela, mãe, para resolver a questão”, afirma Manolo.
Após o encontro, Joana Mourão continua ameaçando divulgar o material que incriminaria a “Turma”, Daniel e Henrique Vorcaro. No dia 7 de maio, a irmã de Sicário envia a Manolo um link de uma notícia dando conta da prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
“Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!”, escreveu Joana, em referência a Henrique Vorcaro.
No dia 12 de maio de 2026, Joana enviou outra mensagem a Manolo, na qual perguntava sobre a assinatura de um “contrato”: “Bom dia! Como vc está?! Tudo certo?! Que dia posso assinar o contrato, sabe se já está pronto?! Me liga qdo puder por favor?”, diz a irmã de Sicário.
As investigações da PF apontaram que o contrato se referia à participação de Joana Mourão no quadro societário da JM Consultoria e Participações Imobiliária Ltda. Dados da Receita Federal mostram que a mulher é sócia-administradora da empresa, que tem capital social de R$ 1 milhão.
A PF suspeita de que a empresa tenha sido usada em um esquema de lavagem de dinheiro para repassar a contrapartida dos crimes cometidos por Sicário para sua mãe e sua irmã. Henrique Vorcaro foi preso pela PF no dia 14 de maio.
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