Correio da Manhã
Brasil

"Dark Horse": polícia suspeita de desvio de dinheiro para bancar filme

Polícia Civil apura direcionamento de licitação e pagamentos antecipados no valor de R$ 26 milhões a ONG ligada à produtora do filme Dark Horse

"Dark Horse": polícia suspeita de desvio de dinheiro para bancar filme
Karina Gama é dona do Instituto Conhecer Brasil e da produtora Go Up, responsável pelo filme "Dark Horse" Crédito: Reprodução/Redes sociais

A suspeita de um desvio de recursos da Prefeitura de São Paulo para financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o que levou a Polícia Civil a deflagrar a operação que cumpriu sete mandados de busca e apreensão na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e no Instituto Conhecer Brasil (ICB).

A ação mira uma suposta fraude em um contrato no valor de R$ 108 milhões firmado entre a secretaria e a ONG, que pertence a Karina Ferreira Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment Ltda, responsável por “Dark Horse”. A operação apreendeu computadores, celulares, documentos e notas fiscais na Prefeitura de São Paulo e na ONG.

O acordo previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi em bairros da periferia. Para a Polícia Civil, a licitação para escolha da empresa responsável pela prestação do serviço, realizada em 2024, pode ter sido direcionada para beneficiar o ICB, uma vez que, mesmo sem histórico de atuação no setor de comunicações e sem qualificação técnica para a instalação dos equipamentos, a entidade foi a única participante do certame.

A investigação aponta ainda que as finanças do ICB e da produtora Go Up, responsável pelo filme, apresentam indícios consistentes de “confusão patrimonial”. A suspeita de desvio de recursos é reforçada pela constatação de possível superfaturamento dos serviços, pelo descumprimento de metas previstas no contrato e pagamentos antecipados de forma indevida no valor de R$ 26 milhões.

No ofício enviado à Justiça de São Paulo solicitando autorização para a operação, a Polícia Civil destacou a existência de indícios de que “recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de SP”.

Prefeitura nega

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e afirmou que toda a documentação solicitada pelas autoridades já havia sido disponibilizada. A administração municipal destacou que o programa de internet gratuita segue em funcionamento e que, na manhã desta segunda-feira, apenas 52 dos 3,2 mil pontos contratados estavam temporariamente fora de operação para manutenção.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes negou irregularidades e sustentou que o contrato seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Segundo a prefeitura, não houve pagamento referente aos 5 mil pontos inicialmente previstos e os aditivos tratam exclusivamente da manutenção da estrutura já instalada.