Após grupo planejar atentado a bomba em Brasília, DF antecipa centro de inteligência contra extremismo
Estrutura reúne 22 órgãos federais e distritais para monitorar possíveis ameaças ao processo eleitoral. Decisão foi tomada após operação da Polícia Civil identificar conversas sobre um possível ataque durante os debates do segundo turno das eleições.
A instalação da Célula Integrada de Inteligência para as eleições foi antecipada pelo Governo do Distrito Federal após a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificar indícios de que um grupo investigado discutiu a possibilidade de um atentado a bomba durante o período eleitoral. A estrutura começou a operar nesta terça-feira (4), antes do cronograma inicialmente previsto, para ampliar o monitoramento de riscos e fortalecer a atuação conjunta dos órgãos responsáveis pela segurança.
A decisão foi tomada em conjunto por instituições que atuam na organização das eleições e na área de segurança pública. A expectativa é garantir respostas mais rápidas diante de qualquer situação que possa comprometer o andamento do processo eleitoral.
Estrutura reúne 22 órgãos
A força-tarefa conta com representantes de 22 órgãos federais e distritais, entre eles integrantes do Poder Judiciário, Ministério Público, forças de segurança, órgãos de inteligência e secretarias do Governo do Distrito Federal.
O grupo atuará de forma integrada, tanto presencialmente quanto por meio de plataformas digitais, compartilhando informações em tempo real para identificar possíveis ameaças, acompanhar ocorrências e definir medidas preventivas durante todo o período eleitoral.
Segundo os responsáveis pela coordenação, o modelo segue protocolos já utilizados em grandes eventos nacionais e operações de alta complexidade, permitindo maior agilidade na tomada de decisões.
Operação revelou conversas sobre atentado
A antecipação da célula ocorreu no mesmo dia em que a PCDF deflagrou a Operação Rede Interrompida, voltada ao combate ao extremismo violento.
As investigações apontam que os suspeitos utilizavam grupos em redes sociais para compartilhar conteúdos extremistas e promover discursos de ódio contra mulheres. Durante a análise do material obtido pelos investigadores, também foram identificadas conversas sobre a possibilidade de um atentado a bomba em Brasília durante os debates do segundo turno das eleições.
De acordo com a Polícia Civil, os participantes ainda discutiam estratégias para invasão de prédios públicos, seleção de possíveis alvos, treinamento tático e recrutamento de integrantes em diferentes estados.
As apurações também identificaram o compartilhamento de mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de edifícios localizados na região central de Brasília, incluindo o Palácio do Planalto.
Operação cumpriu mandados em cinco estados
A Operação Rede Interrompida cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Os investigados têm entre 19 e 31 anos. Entre eles está um seminarista ligado a um mosteiro em Pernambuco, apontado pela Polícia Civil como participante das discussões sobre a estruturação nacional da rede extremista.
Todo o material apreendido será submetido à perícia para identificar outros envolvidos e esclarecer o alcance da atuação do grupo.
Até o fechamento desta reportagem os crimes enquadrados são: associação criminosa, incitação ao crime e delitos previstos na legislação anti-racismo. A polícia não enquadrou ainda o grupo no crime de terrorismo.
Monitoramento seguirá até o fim das eleições
A Célula Integrada de Inteligência permanecerá em funcionamento durante todo o processo eleitoral, reunindo informações produzidas pelos órgãos participantes para prevenir incidentes e preservar a normalidade da votação.
O trabalho inclui o monitoramento de possíveis ameaças, a análise de informações estratégicas e a coordenação de respostas rápidas caso sejam identificadas situações que coloquem em risco a segurança das eleições.