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Saúde suspende uso de vacina contra a dengue

Decisão vem após 42 casos de ‘reações adversas severas’ e duas mortes que podem estar relacionadas ao imunizante

Saúde suspende uso de vacina contra a dengue
Padilha: suspensão foi definida para maior investigação Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil.

O Ministério da Saúde comunicou, nesta segunda-feira (8), em uma coletiva de imprensa, que vai paralisar temporariamente a imunização com a vacina do Instituto Butantan contra a dengue e recolher as doses distribuídas. A decisão se trata de uma medida de precaução após a identificação de 42 casos de “reações severas” em pessoas que tomaram o imunizante.

Entre todos aqueles vacinados, 3,7 mil apresentaram sintomas semelhantes à dengue – aproximadamente 0.7% do total dos vacinados. Porém, dos 42 casos com sintomas de dengue mais graves (0.08% das pessoas vacinadas), dois óbitos estão sendo investigados.

O primeiro de uma mulher de 42 anos que apresentou sintomas 17 dias após a vacinação e teve comprometimentos neurológicos relacionados à meningoencefalite. O segundo um homem de 58 anos que mostrou sintomas cinco dias após receber o imunizante e sofreu um choque refratário.

Sinal de alerta

O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que “não existem dados suficientes para estabelecer uma causalidade entre tomar a vacina e esses óbitos, mas é um sinal de alerta para o sistema de vigilância”.

Portanto, suspender a vacina temporariamente permite que esses casos possam ser investigados pelo Ministério da Saúde, juntamente com um corpo de especialistas, o Instituto Butantan e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – garantindo a segurança da população e a eficácia da vacina.

500 mil doses

A vacina começou a ser distribuída em janeiro de 2026, com cerca de 500 mil doses distribuídas até o dia 30 de maio. Segundo o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti Fernandes, toda vacina incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS) passa por um teste de qualidade e é monitorada pela Anvisa e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

Assim, qualquer reação inesperada pede uma investigação. Padilha afirmou que as reações à vacina não foram observadas em nenhum dos 16 estudos clínicos realizados antes do início da distribuição do imunizante.

De acordo com Fernandes, esses dados “não invalidam a eficácia da vacina, e os que foram vacinados ainda usufruem dos benefícios da proteção contra a dengue”. O diretor enfatizou, para aqueles já vacinados, a necessidade de observar sintomas até 21 após receber o imunizante – entre eles febre, dor abdominal, tontura, sangramentos espontâneos, sonolência intensa, vômitos persistentes, sinais de desidratação e piora no estado geral de saúde.

O Ministério da Saúde alertou que aqueles que apresentarem uma intensificação de sintomas devem procurar uma unidade de saúde.