Eleição no Brasil "vai definir futuro da América Latina", diz o jornal The New York Times
Publicação norte-americana cita envolvimento de Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master e temor de interferência do governo Trump
A imprensa internacional repercutiu as eleições no Brasil, que acontecem neste domingo (4), destacando a polarização partidária, a relevância do resultado para a América Latina e o risco de interferência dos Estados Unidos no pleito.
O jornal "The New York Times" diz que a votação deste domingo pode “definir o futuro da América Latina” e cita o temor de interferência do governo Trump nas eleições brasileiras.
“Um amplo escândalo de corrupção envolvendo boa parte da elite política e do Judiciário — incluindo o próprio Flávio Bolsonaro — esfriou o ânimo dos eleitores”, disse o jornal, referindo-se à crise do Banco Master.
“Os dois principais candidatos apresentam projetos opostos para o futuro da maior democracia da América Latina. As divergências incluem a concessão de acesso preferencial aos Estados Unidos na exploração de terras raras, a proteção da Amazônia contra o desmatamento e o distanciamento das relações com a China”, explicou o NYT.
Já a agência de notícias Reuters afirma que uma vitória de Flávio Bolsonaro seria mais um trunfo da direita na região, e a de Lula, “uma dor de cabeça para Washington, que tem histórico de atritos com o governo dele [Lula] em questões de comércio e segurança”. A Reuters também citou a crise do Banco Master e a renovação no Congresso brasileiro.
O jornal espanhol “El País” cita a polarização e a apatia do eleitorado brasileiro. A publicação afirma que “embora os protagonistas não sejam os mesmos do último pleito, a polarização se mantém”. “Aos 80 anos e em busca de um quarto mandato, Lula afirma que o eleitor deve escolher ‘entre a democracia e a barbárie’”, diz o jornal espanhol.
“Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, classifica a eleição como uma disputa ‘do Bem contra o Mal’. Herdeiro político do bolsonarismo e investigado por corrupção, o parlamentar atrai o voto de conservadores e do eleitorado antipetista”, observa o El País.
A revista inglesa “The Economist” diz que o próximo presidente será um “herdeiro político vingativo” ou um “esquerdista fragilizado pela idade”, citando a polarização política e uma possível estagnação econômica.