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ONU aprova resolução contra embargo a Cuba

Foram 130 votos pela derrubada do embargo, incluindo o do Brasil

ONU aprova resolução contra embargo a Cuba
Tensões de Washington sob Trump com Havana aumentaram em meio a sanções Crédito: fragandaphoto via Wikimedia Commons

A Assembleia Geral da ONU voltou a aprovar uma resolução para encerrar o embargo dos Estados Unidos contra Cuba. Foram 130 votos a favor, incluindo do Brasil, 17 contra e 25 abstenções. Neste ano, em meio a campanha dos EUA na organização internacional contra o texto, a resolução teve a menor adesão em 30 anos. Desde 1992 a ONU vota resolução sobre o tema.

Em 1995, última vez em que os votos favoráveis foram menores do que neste ano, 117 aprovaram o texto. Desde então, a aprovação manteve uma tendência de crescimento, chegando, em 2025, a 165 votos a favor, 7 contra e 12 abstenções, após um pico de 191 votos a favor em 2017.

Entre países da América do Latina, votaram neste ano contra a resolução Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica, todos com governos aliados do governo de Donald Trump. Abstiveram-se Chile, República Dominicana, Honduras e Peru. Em favor da resolução, junto do Brasil, votaram México, Uruguai, Nicarágua, Panamá. Não votaram Bolívia, Guatemala, El Salvador e Venezuela.

O debate sobre o texto foi iniciado na terça (27), e a votação foi concluída nesta quarta (28). Houve briga entre o representante dos EUA na organização, Mike Waltz, e o chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla. A delegação cubana buscou interromper a fala do americano, acusando-o de difamar a ilha. Waltz disse que não seria interrompido e que a delegação tentava tratá-lo como se tratam oponentes na ilha.

Nesta quarta, Waltz falou da tribuna da delegação americana durante a reunião da Assembleia Geral que "o diplomata cubano será colocado em um avião hoje de volta a Havana" pelo que Waltz chamou de agressão, sem detalhar quem seria o diplomata e o que de fato ocorreria.

A posição do Brasil também foi praticamente unânime, a favor do texto. Com exceção de três anos, todos eles durante a Presidência de Jair Bolsonaro (PL). Em 2019, o Brasil votou contra. Em 2021 e 2022, absteve-se. Em 2019 e nos primeiros dias de 2021, Donald Trump estava em seu primeiro mandato na Casa Branca, e Bolsonaro era seu aliado.

Na votação desta terça-feira, o Brasil discursou. O representante do país na ONU, Sergio Danese, enumerou relatórios de agências independentes da ONU que mostram como o bloqueio americano tem impedido que ajuda humanitária chegue à ilha.

O embaixador disse que se trata de uma reflexão sobre "os efeitos extraterritoriais da legislação nacional [dos EUA] sobre a soberania de terceiros Estados e os interesses legítimos de seus cidadãos e empresas". Criticou, também, a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo.