O presidente da Argentina, Javier Milei, permanece sem reconhecer publicamente a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25). O silêncio contrasta com as manifestações de líderes sul-americanos de diferentes correntes políticas, incluindo presidentes de direita que parabenizaram o brasileiro pela vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Lula conquistou o quarto mandato presidencial com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio Bolsonaro. O resultado definitivo foi confirmado pela Justiça Eleitoral.
Milei apoiou publicamente Flávio durante a campanha e chegou a participar de atividades políticas ao lado do senador brasileiro. Após a derrota do aliado, o argentino compartilhou publicações críticas à condução da votação, mas não divulgou mensagem de congratulação ao presidente reeleito.
Na segunda-feira (26), Milei reuniu ministros e assessores na Casa Rosada para discutir assuntos internos e internacionais. A eleição brasileira, entretanto, não foi mencionada nas comunicações oficiais sobre o encontro. A chancelaria argentina também não havia divulgado nota reconhecendo o resultado.
O comportamento do presidente argentino contrasta com o de seu aliado político Mauricio Macri. O ex-presidente da Argentina parabenizou Lula e defendeu a continuidade da cooperação entre os dois países. O PRO, partido de Macri e integrante da base política de Milei, também felicitou o brasileiro e destacou a importância da relação bilateral.
Outros governos identificados com a direita, como os de José Antonio Kast, no Chile, Santiago Peña, no Paraguai, Daniel Noboa, no Equador, e Keiko Fujimori, no Peru, reconheceram a vitória de Lula. As manifestações reforçaram o contraste entre a posição argentina e a reação diplomática predominante na região.
A ausência de pronunciamento ocorre em meio ao desgaste das relações entre Brasília e Buenos Aires, marcado por divergências políticas e declarações públicas de Milei contra Lula. Brasil e Argentina são parceiros estratégicos no Mercosul, com interesses comerciais e industriais que dependem de negociações permanentes entre os governos.
Na Argentina, o silêncio também provocou reações políticas. O deputado Esteban Paulón apresentou uma proposta para que o governo reconheça formalmente o resultado brasileiro e restabeleça o diálogo diplomático. Parlamentares da oposição criticaram a postura do presidente.
O silêncio de Milei, por si só, não altera a validade da eleição ou o reconhecimento institucional do resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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