O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, ordenou a volta dos ataques a refinarias russas, desafiando o colega americano Donald Trump, que havia anunciado uma trégua nesse tipo de ação. Ao menos duas instalações foram atingidas por drones nesta quinta-feira (15).
"Acabou", disse Zelenski sobre a trégua ao jornal britânico Financial Times. No X, o presidente criticou os Estados Unidos: "Nós precisamos de honestidade dos nossos parceiros nesta guerra. É importante que todos nos EUA não fiquem do lado agressor".
O Kremlin aproveitou a decisão para criticar Kiev, apesar de as forças de Vladimir Putin não terem encerrado os ataques ao sistema energético do vizinho após Trump ter anunciado a trégua parcial visando a exatamente isso.
Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, isso vai "em séria contradição com os esforços de paz dos EUA e dos negociadores americanos". Desta forma, o governo Putin busca se colocar como parceiro de Trump aproveitando-se de uma obsessão do republicano: o preço do diesel.
A alta dos combustíveis neste ano nos EUA, um reflexo principalmente da guerra de Trump contra o Irã, virou um problema eleitoral. Segundo projeções, seu Partido Republicano deve perder o controle da Câmara e talvez do Senado na eleição de novembro.
Após adotar a retórica de que o problema eram os ataques de Kiev ao sistema energético russo, Trump costurou um acordo para que Moscou forneça até US$ 4 bilhões em diesel para os EUA e outros países na sexta passada (9).
O arranjo ainda não está claro, mas nesta quinta o governo russo disse que os primeiros carregamentos do produto começaram a sair do porto de Primorsk, no mar Báltico.
Como a Rússia conseguirá fazer as exportações ainda vivendo com filas em postos de abastecimento e racionamento é apenas parte da opacidade da situação —de todos os lados, até porque Moscou havia acusado Kiev de já ter atingido refinarias durante a trégua, algo negado por Zelenski.
Mesmo sem uma admissão formal de Trump, duas medidas da sua administração aumentaram a pressão sobre Zelenski nesta semana. Primeiro, ao menos dois ataques com mísseis balísticos russos não tiveram o usual aviso prévio dos sistemas de vigilância e satélites americanos, gerando destruição e morte em Kiev.
Depois, foi a vez de a versão militar do sistema de comunicação Starlink parar de funcionar em algumas condições na linha de frente. Isso gerou a suspensão de diversas operações, segundo o governo Zelenski, que depende da constelação de satélites de Elon Musk.
O bilionário disse que a responsabilidade era de seu governo, pois o Starshield, a variante para ações ofensivas do Starlink, é gerido pelas forças dos EUA. Nesta madrugada, ele ainda postou, a exemplo do ex-chefe Trump, que "está na hora" de Zelenski deixar a Presidência.
Resta agora saber se as duas falhas em pontos vitais da capacidade defensiva e ofensiva da Ucrânia serão usadas novamente ou se, ao estilo negociador de Trump, foram apenas um aviso. Nesta quinta, há relatos de que a operação com o Starshield na linha de frente está sendo normalizada.
Para os russos, há dúvidas sobre a durabilidade dessa parceria com os americanos, que já agiram de forma contraditória em outras ocasiões sob Trump.
Na Europa, as reações são de revolta com o americano, acusado de trair a Ucrânia mais uma vez. Ante relatos de que Trump poderia descongelar alguns ativos russos como parte de seu esforço pelo fim da guerra, o premiê alemão, Friedrich Merz, disse nesta quinta que isso seria inaceitável. Enquanto isso, a guerra tem escalado ainda mais em seu escopo.
Menu