Internacional

Canadá pode se tornar 'membro associado' da União Europeia

'Europa e Canadá acreditam na democracia', afirma Von der Leyen

Canadá pode se tornar 'membro associado' da União Europeia
Presidente do bloco, Ursula Von der Leyen negou que união seja "contra" Trump Crédito: European Parliament, CC BY 2.0, via WC

Em seu discurso anual ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Ursula von der Leyen declarou nesta quarta-feira (16) que o Canadá pode se tornar um "membro associado da União Europeia".

A adesão, antes impensável, é consequência da diplomacia agressiva e da guerra comercial que os EUA de Donald Trump travam contram dois de seus maiores parceiros. O presidente americano não foi citado diretamente por Von der Leyen, mas as entrelinhas de seu discurso não poderiam ser mais claras.

Dirigindo-se a Mark Carney, primeiro-ministro do país e primeiro mandatário estrangeiro a acompanhar o evento na Casa, a presidente da Comissão Europeia declarou que "Europa e Canadá acreditam na democracia". "Esse poder não pertence ao mais forte, ao mais risco ou que fala mais alto, mas a todos nós. Democracias têm a liberdade de escolher com quem trabalhar. Estamos então juntando forças de maneira voluntária."

Após afirmar que a UE quer elevar "a parceria com o Canadá ao nível mais alto possível", Von der Leyen declarou que o bloco vai trabalhar para que o Canadá "se torne o primeiro membro associado da União Europeia". Carney então se levantou para cumprimentar Von der Leyen, sendo aplaudido de pé pelos eurodeputados.

"Esta não é uma parceria contra ninguém, mas para nosso fortalecimento comum", declarou Von der Leyen, sempre sem citar Trump, sobre o alinhamento, inédito na história do bloco econômico. As regras da UE determinam que apenas países europeus podem compô-la, mas Bruxelas e o próprio Parlamento parecem ter encontrado um caminho para elevar a colaboração já existente.

Assinado em 2017, o Acordo Econômico e Comercial Global (CETA, na sigla em inglês), assinado em 2017, aumento o comércio transatlântico em 76%, alcançando um volume anual de € 130 bilhões (R$ 763 bilhões). Von der Leyen não detalhou como o aprimoramento do acordo se dará, mas a presença de Carney em Estrasburgo mostra que as negociações estão avançadas.

O premiê, inclusive, fará um discurso ao Parlamento nesta quinta-feira (17), quando a calorosa recepção da véspera promete se repetir. Iratxe García Pérez, líder do grupo Socialistas e Democratas, chamou Carney de "valente" por enfrentar o presidente americano e pediu valentia semelhante aos próprios colegas.