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Sauditas bombardeiam o Iêmen, após drone ser abatido em Meca

Sauditas bombardeiam o Iêmen, após drone ser abatido em Meca
Ataque é considerado uma ação de "cruzar a linha vermelha" Crédito: Saudipics.com via Wikimedia Commons

A guerra no Iêmen, novo cenário ativo do conflito no Oriente Médio, escalou ainda mais nesta quarta-feira (16). Forças de Riad bombardearam diversas posições dos houthis do Iêmen ao longo da fronteira entre os dois países. Com isso, chegou a 450 o número de ataques nesta semana, segundo o comando dos rebeldes pró-Irã que tomaram a capital iemenita, Sanaa, em 2014. De seu lado, os houthis disseram ter bombardeado uma instalação da estatal saudita Aramco no terminal petrolífero de Yanbu. O local é o principal porto de exportação de Riad no mar Vermelho e vinha servindo de alternativa devido à obstrução do trânsito no estreito de Hormuz —cortesia da guerra entre Donald Trump e o Irã, que controla a via. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse nesta quarta que suas forças também derrubaram um caça F-15 saudita que participava dos ataques usando um míssil. Riad não comentou o episódio.


Rebeldes negaram a ação no entorno de Meca

Rebeldes negaram a ação no entorno de Meca
Rebeldes houthis atacaram porto no Mar Vermelho Crédito: Reprodução

Saree também anunciou mais um ataque à base Rei Khalid, em Khamis Mushait (sudoeste saudita). O local, que já foi atingido por mísseis nesta fase do conflito, sedia esquadrões justamente do F-15, inclusive a versão E, especializada em ataque tático.

Na véspera, um drone houthi havia sido abatido nas cercanias de Meca, a cidade mais sagrada do muçulmanismo, na Arábia Saudita. Os rebeldes negaram a ação, filmada, e a Liga Árabe a condenou nesta quarta.

Guerra de Trump reacendeu conflito

O governo do reino desértico não falou sobre ações que não o ataque em Meca, como é praxe, mas elas foram confirmadas por seus aliados iemenitas baseados no porto de Áden. O governo expulso da capital, apoiado por sauditas, e outros grupos apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, viveram uma guerra civil aberta com os houthis. Esse conflito estava congelado desde 2022, mas a guerra de Trump acabou por reabrir as hostilidades em julho. Áden vive a apreensão de ser o próximo alvo da ofensiva relâmpago dos rebeldes.

Bloqueio eficaz aos portos sauditas

Eles tomaram toda a costa iemenita do mar Vermelho e colocaram o estratégico estreito de Bab el-Mandeb na mira de seus mísseis e drones. Com isso, pretendem impor o bloqueio aos portos sauditas da região, principalmente Yanbu, ligado aos campos produtores do leste do país por um oleoduto que foi atacado por drones supostamente lançados por grupos pró-Irã do Iraque.

Por Igor Gielow (Folhapress)

Prédio desaba em Gaza

Um prédio que havia sido danificado por um ataque aéreo na Faixa de Gaza desabou nesta quarta-feira (16) e matou ao menos 20 pessoas, incluindo 5 crianças. Dezenas estão desaparecidas e presas sob os destroços, segundo a Defesa Civil do território, controlada pelo grupo terrorista Hamas. Equipes de resgate realizam buscas para tentar encontrar pessoas com vida.

Correr o risco

O prédio tinha sete andares, com quatro apartamentos residenciais por piso, e havia sido atingido va´rias durante a guerra nos últimos dois anos, o que comprometeu sua estrutura e provocou o desabamento, segundo a Defesa Civil. As autoridades recomendaram que os moradores não retornassem ao edifício, mas muitos decidiram correr o risco.

Famílias sem opção

Estima-se que ao menos dez famílias viviam no local. "Eles não têm outra opção. Sem tendas ou moradias disponíveis, estão vivendo em prédios rachados e danificados, apesar do risco de desabamento", disse à AFP Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil. A maior parte dos edifícios em Gaza foi destruída pelos bombardeios israelenses.

Israel Katz

Também há cerca de 2 mil edifícios danificados que correm o risco de desabar, segundo a Defesa Civil. Em paralelo, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quarta que é apenas uma questão de tempo até que o país retome a guerra em larga escala em Gaza e comece a expulsar os cerca de 2 milhões de palestinos do território.

Expulsão de palestinos

Katz disse que o cessar-fogo de outubro de 2025, mediado por Donald Trump, foi essencial para o retorno dos reféns.

Mas, como o desarmamento do Hamas, previsto no acordo, "não vai acontecer", afirmou que o Exército israelense está pronto para retomar a ofensiva e implementar o plano de expulsão de palestinos.

Ataques continuam

O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, negou plano de "deslocar pessoas para fora de Gaza contra sua vontade". O escritório de imprensa do governo de Gaza atribuiu o desabamento aos atrasos na reconstrução prometida para o território. Israel permitiu a entrada de ajuda em Gaza desde o anúncio do cessar-fogo, mas o Exército continua fazendo ataques.