Chefe da CIA discutiu crise com a Otan em viagem à Rússia
28 de agosto de 202600:01Redação
Na Rússia, John Ratcliffe discutiu crise com Serguei NarichkinCrédito: Office of Congressman John Ratcliffe via Wikimedia Commons
O diretor da CIA, John Ratcliffe, discutiu com seu equivalente russo, Serguei Narichkin, a escalada na crise entre a Rússia e a aliança militar ocidental Otan durante sua visita a Moscou na terça-feira (25). Chefe da espionagem americana, Ratcliffe passou cerca de nove horas na capital russa, em uma viagem cercada de mistérios feita em um cargueiro militar e cuja confirmação só ocorreu no dia seguinte.
A reportagem ouviu de uma pessoa com conhecimento do assunto em Moscou que eles trocaram impressões e advertências, mas num tom mais ameno do que o sugerido por reportagem do americano Wall Street Journal.
Do lado americano, a preocupação era com as informações de inteligência segundo as quais Vladimir Putin poderia atacar alvos da Otan.
EUA, no momento, não estão preocupados
Donald Trump não crê que Vladimir Putin ousará atacar a OtanCrédito: Daniel Torok/ Casa Branca
A motivação seria o momento de impasse na Guerra da Ucrânia, os ataques de Kiev que geraram uma crise de combustíveis e logística na Rússia e mesmo a fraqueza americana devido à exaustão no Irã. Relatos sobre esse temor de países da Otan, em particular os mais expostos membros da aliança na região do mar Báltico, têm sido frequentes. Na quinta, Donald Trump afirmou não acreditar nessa possibilidade. "Não estou nem um pouco preocupado, não há problema", disse ao site Axios.
Trump diz que "Putin não vai atacar a Otan"
Depois, repetiu a repórteres na Casa Branca que "Putin não vai atacar a Otan". Mesmo integrantes da elite russa e do entorno do Kremlin, que passam parte do tempo tentando adivinhar o que pensa Putin, creem que o líder possa escalar o conflito e veem um embate ainda que limitado com a Otan como inevitável. Nesta quinta (27), o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, chamou de "histórias para assustar" as reportagens trazendo tais cenários. Segundo ele, a Rússia não tem intenção de entrar em guerra com a Otan.
Porta‑voz de chancelaria de Moscou faz ameaça
No encontro com Ratcliffe, Narichkin, um linha-dura que chefia o SVR (Serviço de Inteligência Estrangeiro), queixou-se do premiê britânico, Andy Burnham, que prometeu ajudar na criação de uma fábrica de mísseis de cruzeiro na Ucrânia. A porta-voz da chancelaria em Moscou, Maria Zakharova, disse que Reino Unido e França estavam "brincando com fogo".
Por Igor Gielow (Folhapress)
Terremoto no Tibete
Centros de sismologia ao redor do mundo registraram na quinta (27) um terremoto de magnitude 5 no Tibete, região da China que, ao lado do Nepal, foi atingida um dia antes por uma enchente que matou pelo menos 395 pessoas. O epicentro do terremoto de quinta está a centenas de quilômetros ao norte da região fronteiriça que concentra os danos da enchente.
Povoados devastados
O abalo foi detectado a dez quilômetros de profundidade pelo Centro de Pesquisas Geológicas (GFZ), na Alemanha, e pelo Centro de Terremotos da China, agência de defesa civil chinesa. Os alemães afirmaram que a magnitude foi 5, enquanto a agência chinesa registrou 4,7. A tragédia desta quarta (26) deixou povoados inteiros devastados e submersos em lama.
Catástrofe no Nepal
Do total de mortos, 392 foram registrados no Nepal e três no lado chinês, segundo a imprensa estatal. As autoridades do Nepal usaram helicópteros para procurar sobreviventes e lançar suprimentos de emergência para milhares de pessoas isoladas em cidades e vales depois que o desastre varreu uma área popular entre praticantes de trekking.
Colapso de geleira
As enchentes repentinas ocorreram após o colapso de uma geleira, que lançou rochas, gelo, lama e detritos nos sistemas fluviais das montanhas. O fenômeno, chamado de colapso glacial, causou um abalo sísmico equivalente a um tremor de magnitude 5,2. Por isso que, inicialmente, as autoridades pensaram que um terremoto havia causado a tragédia.
Pânico e destruição
No Nepal, a enchente varreu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do rio Bhote Koshi, a leste da capital.
No lado chinês da fronteira, um deslizamento de terra que atingiu o porto de Gyirong engoliu carros e causou pânico e destruição, como visto nas imagems que aterrorizaram o mundo.
Turistas desaparecidos
As autoridades nepalesas continuam sem notícias de 823 pessoas, entre elas 517 turistas estrangeiros. Muitos dos desaparecidos são peregrinos hindus que viajavam ao sagrado Monte Kailash, no Tibete. O grupo inclui 178 cidadãos da Índia, 65 dos EUA, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido, 25 do Canadá e 4 da Espanha.
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