O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CentCom) confirmou nesta quinta-feira (9) ataques a 90 alvos estratégicos na costa iraniana no dia anterior, com o objetivo de reduzir a capacidade do inimigo para alvejar navios comerciais e tripulação civil no Estreito de Ormuz. Em resposta, o governo iraniano afirmou que as ofensivas norte-americanas interromperam a reabertura gradual da rota marítima, prevista no acordo de paz firmado em junho.
Em um comunicado divulgado em suas redes sociais, o CentCom afirmou que os bombardeios seguem as ordens do “comandante-em-chefe”, o presidente dos EUA, Donald Trump, que disse na quarta-feira (7) que o acordo de paz com o Irã teria “acabado”.
“As forças do Comando Central dos EUA (CentCom) concluíram uma nova rodada de ataques contra o Irã, em 8 de julho, para degradar ainda mais a capacidade do Irã de atacar navios comerciais e marinheiros civis inocentes no Estreito de Ormuz”, afirmou o CentCom, no comunicado.
— U.S. Central Command (@CENTCOM) July 9, 2026
“As forças dos EUA atingiram aproximadamente 90 alvos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística militar ao longo da costa do Irã. Os últimos ataques seguem a execução bem-sucedida de ataques ofensivos no Irã na noite anterior”, disse o Comando Central dos EUA.
Os novos ataques dos EUA ao Irã tiveram início na segunda-feira (7), depois que três navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz registraram agressões pelas forças militares do Irã. Para os EUA, o incidente representou uma violação ao acordo de paz.
“As forças do CENTCOM atingiram aproximadamente 80 alvos militares iranianos em 7 de julho, incluindo mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, para impor pesados custos ao Irã por violar o cessar-fogo ao atacar três navios comerciais que navegavam no Estreito de Ormuz. As forças dos EUA permanecem vigilantes, letais e preparadas para executar operações dirigidas pelo Comandante-em-Chefe”, informou o CentCom.
A imprensa estatal iraniana confirmou a morte de três pessoas na ofensiva de quarta-feira e de 8 militares nos bombardeios de terça, além de vários feridos.
Resposta do Irã
Em resposta aos ataques registrados desde segunda-feira, o governo do Irã afirmou que a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, prevista no acordo de paz firmado com os EUA no dia 17de junho, foi interrompida.
De acordo com a Guarda Revolucionária do Irã, o tráfego em Ormuz estava sendo ampliado nas últimas semanas e a supervisão da navegação pelo país havia atingido 50% da capacidade anterior ao início do conflito com os EUA. No entanto, apenas embarcações autorizadas pelo Irã estavam circulando livremente pela rota comercial.
O fluxo na rota defendida pelos EUA, pela costa de Omã, caiu drasticamente após os ataques mais recentes. Na quarta, foram registrados 21 navios comerciais transitando pela via. Nesta quinta, o número caiu para seis.
Fim do acordo
Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou acreditar no fim do acordo de paz com o Irã após a troca de agressões mais recente entre os dois países. Ainda na quarta, o Irã divulgou nota confirmando investidas sobre instalações militares dos EUA no Kuwait e Bahrein.
“Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (...) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", disse Trump.
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