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Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru em eleições turbulentas

Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru em eleições turbulentas
Keiko tem em seu sobrenome seus apoiadores e opositores Crédito: Divulgação

A populista de direita Keiko Fujimori foi proclamada presidente eleita na sexta-feira (3) quase um mês após derrotar o esquerdista Roberto Sánchez por uma margem de quase 50 mil votos, de acordo com o Onpe (Escritório Nacional de Processos Eleitorais). Foram 49,865% dos votos em Sánchez ante 50,135% em Keiko, que tentava alcançar o cargo pela quarta vez consecutiva. O resultado foi quase uma revanche de 2021, quando a política concorreu com Pedro Castillo, o padrinho do adversário atual. Assim como naquele ano, o pós-pleito foi marcado pela judicialização da apuração. Desta vez, no lugar de Keiko, foi o candidato de esquerda que tentou anular milhares de votos favoráveis a adversária. A divisão escancarada do país prenuncia um mandato difícil para Keiko, que enfrenta altas taxas de impopularidade.

 

Keiko é filha do ditador Alberto Fujimori

Keiko é filha do ditador Alberto Fujimori
Opositor, Sánchez não aceitou resultado nas urnas do Peru Crédito: Reprodução/ YouTube

A rejeição é causada pelo mesmo fator que confere a ela popularidade: seu pai, Alberto Fujimori. O ditador governou o Peru de 1990 a 2000, período no qual deu um autogolpe. Fujimori não conseguiu ver a filha se tornar presidente: ele cumpria uma pena de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção quando morreu, em 2024. Se o sobrenome coloca Keiko em uma situação delicada, a habilidade política da presidente a torna uma forte candidata a cumprir o mandato.

Formação em Administração de Empresas

Keiko conquistou influência em outras instituições do Estado a partir do Congresso. A partir de julho, o seu partido, o Força Popular, vai se manter como a maior bancada tanto na Câmara de Deputados (41 cadeiras de 130) quanto no Senado (22 cadeiras de 60). Nascida em 1975 em Lima, Keiko viu o pai chegar ao poder aos 15 anos. Aos 18, cursou administração de empresas na Universidade de Stony Brook, nos EUA —estudos que teriam sido pagos pelo chefe do Serviço de Inteligência Nacional, Vladimiro Montesinos. Aos 22 anos, completou a graduação.

Promessa de pacificar o país com diálogo

Em seu comício de encerramento antes do segundo turno, a agora presidente eleita prometeu "dar um passo em direção ao diálogo e ao consenso" e "construir pontes nos abismos mais profundos" da divisão do país. É um desafio: a ponte deverá ser construída com metade do país, que a rejeitou três vezes e, por pouco, não o fez uma quarta vez.

Por Daniela Arcanjo (Folhapress)

Vida em Caracas

À primeira vista, Caracas, a capital da Venezuela, opera em normalidade. Não há desabastecimento. Transporte e comércios funcionam como antes. O sinal de internet foi restabelecido. Mas há pontos onde o impacto brutal dos terremotos que atingiram o país no último dia 24 ficam visíveis, e as vidas impactadas pela tragédia ocupam a capital.

Desabrigados

Há milhares de pessoas desalojadas pelos tremores morando em parques e nas ruas. A placa do local diz: camping. Mas o acampamento no extenso Parque del Este, com 82 hectares e projetado pelo artista e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, virou abrigo para os que perderam suas casas ou parte delas em Caracas.

Mais de 300 crianças

Cerca de 2.000 pessoas, entre elas 300 crianças e adolescentes, ainda moravam ali. Recebiam comida, roupas e atendimento de saúde. Há uma clínica móvel prestando atendimento e exames variados —entre eles, o oftalmológico, para os que perderam seus óculos nos terremotos. O que não há é uma data para voltar à normalidade.

Futuro indefinido

"O que precisamos agora é uma casa", diz Kimberlly Paola Torres López, 19, da região caraquenha de El Junquito, enquanto nina a bebê Valentina, filha de uma mulher que está vivendo na barraca ao lado. As paredes da casa de Kimberlly caíram. Ela, seu bebê de 8 meses e sua mãe conseguiram sair a tempo. "Já recolheram todos os nossos dados, mas ainda não sabemos de nada."

Sem apoio internacional

As brigadas de ajuda internacional enviadas ao país com socorristas (como as de Brasil, Chile, El Salvador, Costa Rica e de mais dezenas de países) não atuam na capital, onde os trabalhos são feitos por equipes locais, dado o menor volume de destruição. Essas equipes estão concentradas em La Guaira.

La Guaira está pior

É um cenário de impacto, mas muito distante do encontrado em La Guaira, a "praia dos caraquenhos", a região mais afetada pelos terremotos. Os dados mais atualizados a nível nacional contabilizam 2.645 mortos; já de desaparecidos, de dezenas de milhares.

Por Mayara Paixão (Folhapress)