Diplomatas estrangeiros e autoridades ligadas ao governo iraniano estão em estado de alerta máximo, na expectativa de retomada dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã nas próximas 48 horas.
Representantes estrangeiros detectaram movimentação militar atípica em bases americanas, entre elas a de Diego Garcia. Em grupos de diplomatas, há acompanhamento até do Índice de Pizza do Pentágono. Trata-se do monitoramento informal de entregas de pizza e fast-food em prédios no Pentágono e na Casa Branca, em Washington, que historicamente sobe nas horas que antecedem bombardeios.
Em publicação na plataforma Truth Social no domingo (17), Donald Trump escreveu que "o tempo está se esgotando" para um acordo de paz com o Irã. "É melhor eles se mexerem logo, e rápido, ou não vai sobrar nada deles", publicou o mandatário americano.
Nesta segunda (18), o republicano disse que adiaria um ataque ao Irã previsto para esta terça-feira (19) a pedido de líderes de países do Golfo, incluindo Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Ele acrescentou, no entanto, que os EUA estão prontos para um "ataque em grande escala contra o Irã, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado".
Trump vai se reunir com seu time de segurança nacional nesta terça para discutir possíveis ações militares. O presidente americano teve uma conversa telefônica de mais de meia hora com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, no domingo. Veículos de mídia israelenses noticiaram que dezenas de aviões provenientes da Alemanha carregados com munições americanas pousaram em Israel. Em entrevista à Al Jazeera, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que as negociações com os EUA continuam, por meio da mediação do Paquistão. A pasta afirmou nesta segunda que o país respondeu à proposta mais recente de Washington para acabar com o conflito.
"Os pontos apresentados são exigências iranianas que têm sido firmemente defendidas pela equipe iraniana em cada rodada de negociações", afirmou Baqaei. Ele também defendeu uma condição iraniana segundo a qual os EUA devem pagar por reparações de guerra, descrevendo o conflito como "ilegal e sem fundamento".
Sobre a possibilidade de um novo confronto militar, o porta-voz disse que Teerã está "preparado para qualquer eventualidade".
Relatos de veículos de mídia iranianos apontam que os EUA teriam rejeitado as demandas do Irã para compensação pelos danos da guerra e teriam exigido a transferência do urânio enriquecido a 60% para os EUA.